NCG “Paraguay Teete” e o Cineclube Cinefusão exibem “Hamaca Paraguaya”

Em comemoração do BICENTENARIO PARAGUAIO (14 e 15 de MAIO 1811-2011) será exhibido o filme: “Hamaca Paraguaya”, de Paz Encina (2006; 75 minutos), inteiramente falado em guarani, com legendas em português.
 
O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” em parceria com o Cineclube Cinefusão, convidam para a exibição e debate do filme paraguaio “Hamaca Paraguaya”.
 
Dia: Domingo, 05 de junho · 18:30 – 22:00
Endereço: Rua Augusta, 1239, sala 13 – Metrô Consolação – São Paulo.
A sessão é gratuita.
 
“HAMACA PARAGUAYA” relembra a Guerra do Chaco, conflito armado entre a Bolívia e o Paraguai, que se estendeu de 1932 a 1935, sendo que no próximo dia 12 de junho, completam-se 76 anos de seu encerramento.

A exibição dá sequência ao ciclo do Cinefusão “Cinema e Culturas Marginais”, que pretende apresentar um panorama de filmes realizados por cineastas de culturas não tão conhecidas e distantes de um senso comum, marcado pelo ocidentalismo europeu e estadunidense, que produz o cinema comercial que é divulgado massivamente.

Assim, serão priorizadas obras que nasceram no âmago dessas culturas ou que abordem o modo de vida delas. Esperamos com o ciclo, trazer uma possibilidade de trocas e, principalmente, à luz da barbárie neoliberal, discutir sem qualquer tipo de preconceitos quais são as motivações que levam as sociedades a concepções de mundo tão distintas ou complementares. A sessão é gratuita e acontece à rua Augusta, 1239, conj 13 e 14.

“Hamaca paraguaya” está escrita e dirigida por Paz Encina e protagonizada por Ramón del Río e Georgina Genes. Levou o prêmio Fipresci da seção “Un certain regard” do Festival Internacional de Cinema de Cannes 2006 e participou na seção oficial do Festival Cinemas do Sul de Granada (Espanha) de 2007.

Ambientada em junho de 1935 durante as últimas horas da Guerra do Chaco, entre o Paraguai e a Bolívia, o filme conta a espera ao longo de todo um dia por parte de Ramón e Cándida, um casal de camponeses sexagenários, para ver se seu único filho volta ou não da guerra.

Sua característica mais interessante é que foi rodado em guarani.

“O guarani era a língua que falavam vários povos indígenas que habitavam a região do atual Paraguai antes da chegada dos espanhóis. Após um intenso processo de mestiçagem, o guarani passou a ser a língua da maioria dos paraguaios. Na atualidade, 27 % da população que somente fala guarani mora nas zonas rurais, e 59 % é bilíngue e fala tanto guarani quanto espanhol. Embora a Constituição paraguaia reconhece o guarani como língua oficial, não desfruta do mesmo tratamento que o espanhol e de fato, tem se convertido em causa de exclusão social e econômica.”

Paz Encina nasceu em Assunção, Paraguai, em 1971. Em 1996, entrou na Escola de Cinematografia onde fez o doutorado em cinematografia (2001).  Após varias curtas, retoma com sua primeira longa, “Hamaca Paraguaya”, uma ideia já exposta em uma curta homônima. Esta co-produção hispano-franco-paraguaia foi premiada pela crítica internacional no festival de Cannes.

Paz Encina escreve sobre “Hamaca paraguaya”

Quando falo de silêncio, falo de silêncio e de tempo. Um silêncio onde convergem solidão e tristeza, um vínculo que se resiste a sumir, uma espera interminável e a busca do sentido da vida. Desta forma, cada silêncio representa um regresso a tudo e é preciso tomar o tempo necessário para expressá-lo.

Quando concebi a estética temporal para “Hamaca paraguaia”, decidi que cada imagem duraria todo o tempo que fosse necessário para expressar-se e não o tempo para que os outros o vissem. Em cada plano, os pequenos atos são mostrados de principio a fim: um suspiro que termina, um leque que se abana e acaba por refrescar o ambiente, o canto de uma cigarra, alguém que descasca e come uma laranja em tempo real. O que me interessa é que cada imagem capture não somente a beleza exata das coisas, senão também os momentos precisos que evocam um detalhe perfeito de cada um destes atos, que se observam na totalidade de seu desenvolvimento.

Como se cada silêncio fosse uma página em branco.

Aqueles silêncios que se fazem presentes, a sequências principais se desenvolvem em um clima de silêncio lento carregado de um sentido que se expressa sem rodeios, um silêncio que deixa nas cenas uma marca temporal. Um silêncio carregado de subentendidos, que geram uma intertextualidade na que o espectador participa abertamente e na que o importante não somente reside na marca que deixa a ação senão no sentido que esta adquire na matriz da obra.

Decidi que não devia temer ao tempo e, embora paradoxalmente trata-se de uma história com poucos diálogos, acho que recreio um mundo que, acima de tudo, é o meu. Um mundo silencioso, onde o tempo separa as palavras, um tempo definido pela palavra “silêncio” com o que tento abranger sutilmente todos os limites entre o presente e o passado. As sequências temporais se sobrepõem e a memória enganosa do presente desaparece.  Semânticas novas e gritos silenciosos deixam ao descoberto mal-entendidos que não são ditos, mas que se expressam, e as respostas pendentes nos permitem vislumbrar emoções que nunca serão reveladas. Os silêncios eloquentes, jogados para o ar, sugerem o que pode sumir a qualquer momento, deixando-nos um instante sonoro como um traço, uma marca, um eco, um vazio sinistro. Isso é “Hamaca paraguaya”.

Na sinopse e neste texto creio haver expressado de forma geral os motivos que têm me levado a realizar este filme. Mas não são os únicos.

A última fita realizada no Paraguai em 35 mm e que foi estreado nas salas de cinema remonta-se aos anos setenta: um filme sobre a guerra da Tríplice Aliança, e que contou com o beneplácito unânime do regime ditatorial do presidente Alfredo Stroessner, que então estava no auge de seu poder. De fato, a introdução deste filme, titulado “Cerro Corá”, inclui seu profundo agradecimento ao “grande líder” e a seus seguidores (cujos filhos participaram no filme) pelo apoio à cultura do país.

Logo, nos anos noventa, alguns diretores estrangeiros vieram ao Paraguai para realizar co-produções, atraídos por uma mão-de-obra barata devido ao câmbio do guarani, nossa moeda nacional. Em seus filmes utilizaram atores e enfeites paraguaios, mas não refletiam a realidade do país.

Também houve alguns projetos para rodar longas-metragens em vídeo, mas não foram bem-sucedidos e também não nos identificávamos com eles.

O Paraguai não tem uma indústria cinematográfica própria, nem laboratórios cinematográficos, nem representantes da Kodak. Em conseqüência também não existem produtoras nem fundos destinados de forma específica ao cinema, o que freia ainda mais qualquer projeto.

Pessoalmente, o que desejo com muita vontade é mostrar a meu povo, aos paraguaios. Às vezes creio que este é meu verdadeiro destino. Às vezes me parece uma condena e outras uma bênção.

Por outra parte, acho que, se tivesse oportunidades, o cinema paraguaio poderia encontrar sua própria identidade na que todos poderíamos nos reconhecer e nos fazer conhecer no resto do mundo. Tem chegado a hora em que nossas inquietudes, situações, estilos e modos de vida se levam à grande tela. Temos algo que oferecer ao mundo porque somos diferentes, e por essa razão acho que nosso cinema pode ser diferente, tal e como somos nós. 
Aliás, sou uma das poucas pessoas que tiveram o privilégio de estudar cinema no estrangeiro. Portanto, me sinto obrigada a começar, colocando esta primeira pedra, a construir algo com esse filme e a apostar pelo cinema paraguaio. É necessário que o Paraguai se converta em um país que faz cinema e onde fazer um filme deixe de ser um milagre isolado que conseguem somente alguns e que, apesar das dificuldades se criem as oportunidades. Não importa que o fato de fazer cinema seja difícil, o que importa é que não se torne impossível.

Desde este ponto de vista, sou ciente de que meu filme não é daqueles fáceis, mas desde sua concepção, soube que correspondia perfeitamente a minha forma de observar, de enxergar meu povo, e que a percepção temporária que sugiro é, na minha opinião, a que estamos vivenciando. Estou convencida de que “Hamaca paraguaya” vai mudar minha vida e poderia virar um ponto de referência importante, não somente para mim como pessoas, mas para muitos outros. Por último, gostaria dizer que este filme tenta refletir o que todos vivenciamos: algo tão simples e ao mesmo tempo tão complexo como é seguir em frente na vida.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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