O Paraguai sobrevive, mas precisamos agir

Por Priscila Carnegie

O Brasil é um país onde os ambientes estão cheios de racismo, discriminação, estereótipo, preconceito e estigma. Aparentemente, o país é receptivo, harmonioso. Mas as relações sociais são profundamente marcadas pelo ódio étnico, por exemplo, contra paraguaios, indígenas, afrodescendentes, e outros povos. O fato é que cotidianamente observamos cenas de violência em nosso País. Contudo, embora mudar tudo da noite para o dia não é uma tarefa fácil, algumas medidas podemos tomar. Neste artigo, então, apresento sugestões às vítimas. Aceitam-se críticas, sugestões! Comente-o! Porque o silêncio não é produtivo quando queremos construir outras realidades.

Mapa do Paraguai: país pouco conhecido pela população brasileira, a qual geralmente conhece apenas o comércio das cidades fronteiriças

Mapa do Paraguai: país pouco conhecido pela população brasileira, a qual geralmente conhece apenas o comércio das cidades fronteiriças

Em primeiro lugar, por mais difícil que pareça procure não se inferiorizar diante das ofensas. Posso ser chamada de mil e umas palavras ruins e nem por isso vou me considerar ruim também. Ou seja, se acreditamos em tudo o que nos desfavorece, vamos cada vez mais nos diminuir. Isso não nos ajuda a manter a saúde emocional. A postura melhor talvez seja ouvir quieto a ofensa (se o idiota tiver mais força física e formos apanhar ao agredi-lo) e se afastar do convívio social com ele. Ou abrir a boca mesmo e dizer umas “merdas”, “boas verdades”. Exemplo:“─ Vai à puta que o pariu!”. Tem gente que merece escutar isso para nos dar o devido respeito. É fato!

Em segundo lugar, a não aceitação a tudo o que se relaciona com o Paraguai tem um motivo: o racismo contra a origem indígena da população paraguaia. Até no Paraguai, muitos têm vergonha de falarem o guarani e serem identificados a partir da origem indígena. Além disso, há a maldita discriminação regional, baseada em falsas concepções. Exemplos: toda pessoa da cidade de Pedro Juan Caballero-PY não presta e tem algum envolvimento com o tráfico e o contrabando, todo brasileiro odeia o povo paraguaio. Não passam de mentiras! Agora, principalmente os países colonizadores (exemplos: Portugual, Espanha, Inglaterra) têm uma dívida histórica com todos os povos de origem indígena.

Em terceiro lugar, a vida é curta e bela para ficar se lamentando diante dos medíocres. É um saco, é chato, viver próximo de indivíduos racistas, medíocres. Ninguém gosta. Nem eu. Mas apesar disso é preciso estabelecer objetivos na vida e preocupar-se mais com esses do que gastar o precioso tempo da existência com os medíocres. Nada justifica, por exemplo, namorar ou se casar ou estabelecer algum tipo de amizade com um racista. Não aceito pessoas assim próximas de mim e pronto. Tenho a liberdade de escolher muitas vezes as minhas relações sociais. O povo paraguaio é inteligente e sobrevive! Não precisa se humilhar tanto assim.

Em quarto lugar, é preciso denunciar as ofensas sim à classe política e às entidades de Direitos Humanos e a outras mais. Isto é, diante da ofensa (racismo, discriminação, estereótipo, preconceito e estigma) é preciso tomar a coragem e denunciar sim a violência sofrida, e pedir a punição dos responsáveis. Além disso, penso que devemos escrever ao Deputado Federal José Mentor (http://www.camara.leg.br/internet/deputado/Dep_Detalhe.asp?id=523548) e cobrá-lo quanto ao Estatuto da Diversidade (perguntar se ele irá levar adiante tal projeto de lei ou não e o porquê da atitude dele de não levar às mídias o Estatuto da Diversidade), e divulgar esse estatuto para muitas pessoas, sobretudo aquelas ligadas aos movimentos sociais. Eis o Estatuto da Diversidadehttp://www.abpprs.com.br/site/files/1estatuto-diversidade.pdf 

Ainda, vejamos alguns endereços para onde podemos mandar reclamações (tanto das discriminações sofridas quanto pedidos para que se elaborem políticas públicas sobre os temas aqui tratados):

Presidência da República: 

http://www2.planalto.gov.br/presidenta/fale-com-a-presidenta

Secretaria Nacional dos Direitos Humanos – SNDH: 

http://portal.sdh.gov.br/clientes/sedh/sedh/fale_con

SaferNet Brasil: 

http://www.safernet.org.br/site/institucional/projetos/cnd/o-que-denunciar 

Em quinto lugar, eis o mais fundamental: combate-se (o racismo, a discriminação, o estereótipo, o preconceito e o estigma) por meio da beleza. Ou seja, é preciso lutar contra a ignorância com o conhecimento em vez de simplesmente devolver a resposta de forma ignorante. Esse negócio de a vítima perdoar eternamente o ofensor também não leva a nada: apenas a mais dor e sofrimento. Então, é interessante sim pensar bem com qual tipo de pessoa nós estamos dispostos a manter as nossas relações familiares, afetivas, amorosas, profissionais… Em outras palavras: fugir dos maus como o diabo foge da cruz!
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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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9 respostas para O Paraguai sobrevive, mas precisamos agir

  1. Mauro disse:

    Penso que este tema deva ser tratado com menos paixão. Os elementos racistas que existem no mundo geralmente são seres com pouca ou nenhuma educação, formação cultura e social, muitos atestam arrogantemente que se formaram em grandes escolas etc.. por isso nem sempre um racista e desprovido de formação acadêmica, ao contrario em alguns casos isso pode ser um imput.. importante e poder reconhecer antecipadamente esse tipo de indivíduos para estar preparados em caso de demonstrações de racismo ou preconceito. Eu sou Paraguaio, falo o Guarani e me orgulho disso. Morei no Brasil por quase 30 anos e convivi com todo tipo de pessoas, alguns racistas contra os negros, contra os mineiros, baianos, pernambucanos, cariocas, cearenses etc e também contra os Paraguaios e por que não dizer contra os Argentinos. O racismo não escolhe pais, origem, língua, religião etc..basta que o racista se considere superior a alguém ou a alguma cultura para externar a suas paixões deturpadas. Por isso eu nunca me senti superior e nem inferior a nenhuma pessoa, seja ela Europea, Africana,Norte Americana etc..meus tratos deixam claro o meu modo sempre respeitoso com todas as pessoas e isso de alguma forma me poupou de qualquer racismo contra a minha nacionalidade e nunca senti qualquer racismo contra minha pessoa..e claro que existiam aquelas brincadeirinhas estúpidas de cavalo paraguaio etc, produtos falsificados e tudo mais, mas vendo de que boca essas expressões saiam eu me limitava a dar uns tapinha nas costas deles e lhes dava um sorriso não de desprezo mas de compreensão, ou seja eu podia entender essas pessoas eram limitadas culturalmente e no fundo, eles não queriam me ferir mas era a forma que encontravam para “socialisar-se” ou provocar alguma reação da minha parte. Nada que um simples sorriso não pudesse resolver.. Era meu modo de demonstrar a eles que eu os aceitava. Talvez se essas pessoas tivessem tido a minha mesma formação, nascido numa família como a minha seriam muito diferentes..por isso penso que o racismo só existe porque os meios de comuniç ão são complices com isso, quando jornalistas de radio e tv excretam suas diarreias mentais por esses meios afetando a mente de uma grande massa de gente que não tendo suficiente entendimento sobre si mesmos, são moldados por esses condutores de programas radiotelevisivos. Por isso a punição maior deve recair sobre aqueles que no atributo de suas funções tem por obrigação selar pelo bem estar das pessoas, das classes e categorias diversas que existem numa sociedade moderna e democrática.
    Quando o racismo e caracterizado pelo crasso impedimento de convívio social, seria o momento sim de formalizar uma querela e levar o caso aos tribunais.

    • Priscila Carnegie disse:

      É interessante as suas palavras. Obrigada pela contribuição, Mauro! Olha, o tema também tem um aspecto emocional (não se trata de paixão), porque abala a saúde mental das vítimas. Mesmo pessoas educadas são capazes de manifestarem atitudes racistas: passar pela Educação pode aperfeiçoar o caráter, mas não livrá-lo completamente das más atitudes. Jogar a responsabilidade do racismo apenas nas pessoas consideradas mais simples (pelo fato de não terem passado pela Educação) é um risco e de certa forma discriminá-las. Todas as pessoas têm cultura e não há cultura melhor ou pior do que outra. Sugiro que leia este artigo interessante nesse sentido: Paulo Freire y la reinvención de Brasil (Fonte: http://alainet.org/active/1284). Você tem razão: nem sempre o racista é desprovido da formação acadêmica. Meus parabéns por falar o guarani! Sim, há no Brasil o racismo contra aqueles povos que você mencionou: de origem afrodescendente, nordestina, paraguaia, argentina. Exatamente: o racismo é um fenômeno amplo, como o senhor bem observou. Aquilo que chama de “brincadeirinhas estúpidas” são inaceitáveis às vítimas delas muitas vezes e manifestam sim um racismo. Veja o tema abordado nesse artigo, por exemplo: La imagen paraguaya en Brasil: el caso del “caballo paraguayo” (Fonte: http://alainet.org/active/43696&lang=es). Sim, você se colocou na posição de uma vítima do racismo e que não foi ao enfrentamento, para conseguir sobreviver. É claro: a mídia dissemina muito racismo, o senhor tem razão. A responsabilidade pelo racismo é de Jornalistas, mas principalmente dos donos dos meios de comunicação. Porque os Jornalistas obedecem a ordens. O racismo deve ser levado aos tribunais a depender da vontade da vítima e não apenas se impede o convívio social. A escolha é da vítima! Porque se uma pessoa sofre uma humilhação pública, por exemplo, por quem nem a conhece e nem convive socialmente com ela, essa vítima tem o direito sim de recorrer ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. No demais, penso que as suas palavras contribuíram sim ao esclarecimento do tema. Muito obrigada pela participação!

  2. Mauro disse:

    Priscila Boa tarde , Eu respeito a sua posição, e não gostaria de ser mal interpretado com as palavras que usei, eu estava falando de minha própria experiência e o modo que encontrei para superar essas dificuldades no convívio com pessoas de diversas formações. E posso asseverar que sempre consegui me impor de modo respeitoso a aqueles que de alguma forma de brincadeira ou não disseram alguma coisa que pudesse ter conotação racista. Não desejo de forma alguma disincentivar o direito que as pessoas têm de se defender de agressões como o racismo, pelo contrario como falei antes eu sou um que defende seus direitos e estou nesta pagina justamente para poder tomar conhecimento das dificuldades pelas quais alguns dos nossos compatriotas estão passando no Brasil.

  3. Priscila Carnegie disse:

    Eu indico este livro para todas as pessoas que sofrem nesta vida:

    http://professorc24.dominiotemporario.com/doc/Como_Evitar_Preocupacoes_e_Comecar_a_Viver.pdf

  4. Che Tereré disse:

    Artigo muito interessante! Parabéns pelo blog!

  5. alvaro disse:

    me desculpe mas nao posso , concordar com a sua opiniao , eu sou brasileiro conheço bolivianos e sei muito bem como eles sofrem e a maioria de paraguaios q vejo os humilham , a maioria dos paraguaios q vem ao brasil e para ¨¨tentar sobreviver¨¨ e a maioria sai por aii tratando a gente mal e nossa naçao ,nao q vc esteja errado em dizer q aqui tem muito preconceito com etnias ou crenças mas qual pais q nao tem alguma discriminaçao com alguma coisa , se eu chegar nos EUA vc acha q nao vao me chamar de neguinho ou faveladinho e.t.c como eles tambem humilham vcs e nos latinos-americanos , em vez de dizer q o brasil ou demais paises existe preconceito (que e um fato) temos q nos juntatr e nao julgar obg.

    • Mauro disse:

      Alvaro, justamente a motivaçao de estar neste blog e para abrir os olhos das pessoas e nao para incentivar ou justificar o racismo..certamente muitas pessoas sofrem humillaçoes por causa de suas crenças, pais de origem etc..Eu sou Paraguaio e desde que cheguei neste belo pais sempre trabalhei e paguei meus impostos como o melhor dos Brasileiros, uma coisa que me chamou a atençao e vc escrever que os Paraguaios que vc conhece ou conheceu vieram ao Brasil para ” TENTAR SOBREVIVER” o que isso significa? que sao escraviçados com trabalho sem registro em carteira, estao ilegais no pais e isso? isso tambem e uma coisa que deveria ser combatido. Se for isso que vc quiz dizer te incentivo e denunciar a Policia Federal, afinal essas pessoas assim como vc sao seres humanos e vieram ao Brasil possivelmente com a promessa de um futuro melhor e chegando aqui a realidade deles se converteu em uma odisseia. Pois algumas vezes aparece na TV, como os Paraguaios e Bolivianos sao explorados por empresarios sem escrupulos que os mantem trabalhando como escravos.
      Todos podemos fazer a nossa parte e penso que voce seja uma dessas tantas pessoas boas que fazem do Brasil um pais acolhedor e alegre. Um forte abraço da parte de uma pessoa que ama o teu pais o Brasil, pois tenho filhos Brasileiros e netos Brasileiros que tem como origem o sangue Guarani , sou desejoso de ver um mundo melhor, este problema nao tem fronteiras e um problema mundial e que as pessoas precisam se concientizar. Penso que esta pagina esta fazendo a sua parte em promover a amizade entre os povos e o reconhecimento do direito de cada ser humano. Lembre-se, ontem pode ter ocorrido comigo, hoje pode acontecer com voce, mas nos temos o poder e a obrigaçao de manisfestarnos diante desse cancer que se chama racismo, para mudar o amanha para que isso nao se repita com os nossos descendentes nao e verdade?..

  6. José Aparecido da Silva Junior disse:

    Mauro, sou jornalista nascido no Paraná e hoje resido em Minas Geras, precisamente em Varginha, sul do estado.Sei que o preconceito existe de todas as formas.É o carioca contra o paulista, este contra o mineiro e este por sua vez discriminando os sulistas. No meu caso me chamam -os mineiros- de gaúcho, sem que eu seja, mas nem por isso é uma desonra ao gaudio povo das querências. O preconceito e a discriminação me parece ser uma cultura enraizada em todos, de alguma forma contra alguma coisa. Negros, latinos, indios, homosexuais, nordestinos (E veja que os pernambucanos fazem escárnios dos piauienses e cearenses), mendigos, lavradores simples da roça, tudo é motivo de preconceito. Uma forma da gente quebrar este paradigma é conhecer essas pessoas. Abrase-se um leque imenso e a ente descobre a hipocrisia que habitava o pensar nosso. Tenho uma irmã em Assunción. É psicóloga e empresária. Está adorando o Paraguai. O povo paraguaio. É gentil, obreiro. Através dela, fiquei amigos de muitos paraguaios e paraguaias pessoalmente e no facebook. E quantas lições me dão. e família, de educação, de cultura. De bondade e generosidade. Quis entrar nessa conversa para expor isso. Abraço

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