O Palácio de López: A 120 anos de sua conclusão

Com grande solenidade e em coincidência com a celebração do IV Centenário de Descobrimento da América, em 12 de outubro de 1892, procedeu-se a inauguração oficial do Palácio de López. O então presidente da República, Juan Gualberto González, habilitou a construção que foi bombardeada e ocupada pelas tropas brasileiras em tempos da Guerra da Tríplice Aliança (1865-1870). Aqui, um passeio pela história do mais emblemático dos edifícios assuncenos. 

Assentado em um terreno de dois hectares, de frente à baía de Assunção, o Palácio de López é um dos edifícios mais elegantes da capital paraguaia.

Na primeira metade do século XIX, o marechal Francisco Solano López recebeu de presente o prédio por parte de seu padrinho de batismo, Lázaro Rojas. Durante o governo presidencial de seu pai, dom Carlos Antonio López, o militar paraguaio viajou à Europa com a missão de contratar técnicos e profissionais para desenvolver obras para o progresso do país. Assim chegaram engenheiros e arquitetos, que iniciaram uma série de construções que transformaram a paisagem urbana da Assunção pós-colonial. Entre as edificações encomendadas figurava um palácio que seria residência do Marechal López. A planificação da obra ficou a cargo do engenheiro húngaro Francisco Wisner de Morgenstern e os trabalhos se iniciaram em 1857, sob a direção do arquiteto inglês Alonso Taylor.

De costas ao rio. A perspectiva edilícia do Palácio sugere que sua frente mira o centro da cidade, mas sempre existiram dúvidas a respeito da fachada original. Desfile militar. Na base, empregaram-se rochas extraídas das pedreiras de Emboscada e Altos; as madeiras foram trazidas de bosques e oficinas de Yaguarón e Ñeembucú e os tijolos provieram das olarias públicas de Tacumbú. As peças de ferro fundido foram feitas na Fundição de Ybycuí.

Sob as ordens do arquiteto Taylor trabalharam também técnicos, escultores e artistas, que se encarregaram da construção e decoração do edifício. Seu principal assistente era o arquiteto italiano Alejandro Ravizza, e o engenheiro inglês Owen Mognihan teve a seu cargo esculpir as figuras necessárias para a ambientação palaciana. Fez artísticas estátuas em pedras vermelhas e brancas, tiradas das pedreiras de Emboscada e Altos para enfeitar os salões.

Em 25 de janeiro de 1864, chegou a Assunção o especialista italiano Andrés Antonini. Veio exclusivamente para desenhar e instalar a escada central de mármore, que dá acesso ao segundo piso. Colocou também móveis e confeccionou peças decorativas durante o transcorrer dos anos que duraram suas intervenções.

O artista francês Julio Mornet contou com a colaboração do pintor paraguaio Aurelio García na tarefa de pintar o teto com flores e figuras.

Feito no estilo neoclássico renascentista, o Palácio de López estava quase terminado em 1867. Apenas faltavam detalhes de acabamento para sua conclusão. A ornamentação incluía estatuetas de bronze e o mobiliário importado de Paris ao estilo francês em madeiras nobres, bronzes e mármores, além dos enfeites greco-romanos. Os espelhos com vidros chanfrados, os tapetes e as cortinas de veludo trazidos da França outorgavam ares europeus aos distintos ambientes do elegante edifício.

Desde sua inauguração em 1982, a obra de estilo neoclássico renascentista concentrou as atividades oficiais, como mostra a imagem postal de 1907. O então general de brigada Francisco Solano López dispôs que seu escritório fosse acondicionado em uma das salas do andar térreo, do lado esquerdo. O teto do setor estava revestido de gesso e no centro sobressaía o escudo nacional com orlas douradas.

O início da Guerra da Tríplice Aliança fez com que o Marechal López abandonasse a capital e se instalasse no território de Ñeembucú, de onde comandava as operações de defesa. Não chegou a ocupar sua pomposa residência, que sofrei bombardeios prévios à tomada de Assunção por parte da esquadra brasileira. As tropas de ocupação a utilizaram como quartel e os corredores serviram de cavalariça, por uns sete anos.

O início da Guerra da Tríplice Aliança fez com que o Marechal López abandonasse a capital e se instalasse no território de Ñeembucú, de onde comandava as operações de defesa. Não chegou a ocupar sua pomposa residência, que sofrei bombardeios prévios à tomada de Assunção por parte da esquadra brasileira. As tropas de ocupação a utilizaram como quartel e os corredores serviram de cavalariça, por uns sete anos.

Além dos danos sofridos pelos bombardeios, o Palácio foi objeto de saques. Todos os móveis trazidos da Europa, as estatuetas que enfeitavas os salões, os lustres, os espelhos, os tapetes e cortinas foram levados ao Brasil pelos oficiais e soldados do imperador dom Pedro II.

Grades de ferro. Até os anos 20, o Palácio de López se manteve cercado, tal como se observa em um cartão portal a princípios de 1900. Ao terminar a guerra, em 1870, Assunção continuou em poder dos brasileiros, que se retiraram em 1876. Em junho do mesmo ano, o Palácio ficou livre e permaneceu em total estado de abandono, até que o Governo de Juan Gualberto González (1890-1894) se ocupou de sua recuperação, com o propósito de convertê-lo em sede do Governo nacional. A solidez da construção foi comprovada, pois nem a base, nem a estrutura acusaram mais danos do que havia ocasionado as balas dos canhões atacantes.

Grades de ferro. Até os anos 20, o Palácio de López se manteve cercado, tal como se observa em um cartão portal a princípios de 1900. Ao terminar a guerra, em 1870, Assunção continuou em poder dos brasileiros, que se retiraram em 1876. Em junho do mesmo ano, o Palácio ficou livre e permaneceu em total estado de abandono, até que o Governo de Juan Gualberto González (1890-1894) se ocupou de sua recuperação, com o propósito de convertê-lo em sede do Governo nacional. A solidez da construção foi comprovada, pois nem a base, nem a estrutura acusaram mais danos do que havia ocasionado as balas dos canhões atacantes.

O complexo esteve protegido por uma gelosia de ferro de considerável altura, retirada definitivamente nos anos 20.

Sede do Governo.

Gala noturna.

Em ocasiões de celebrações pátrias, a sede governamental se engalana com luzes de cores que ressaltam sua elegância arquitetônica. O presidente Juan Gualberto González, quem ordenou a recuperação do Palácio de López, não chegou a instalar seu gabinete no edifício. Acontece que, em junho de 1894, foi deposto por um golpe de Estado e em seu lugar assumiu o vice-presidente, Marcos Morínigo. Este tampouco teve tempo de montar seu escritório na nova sede, porque não durou no poder. Posteriormente, o general Juan Bautista Egusquiza pôde concretizar a utilização efetiva do Palácio de López como sede do Governo nacional, em 25 de novembro de 1894.

Mudança de gabinete.

Em seus tempos iniciais, o gabinete presidencial estava situado no piso superior. Em 1949, o presidente Felipe Molas López, com dificuldades para subir as escadas, mandou transferi-lo ao andar inferior, na ala leste, onde se encontra atualmente.

Com o transcorrer do tempo, as dependências originais foram se transformando de acordo com as necessidades da administração governamental.

Em 1990, suprimiram-se os escritórios do piso superior e se reabilitou o grande salão, com o nome de “Libertad”.

* Fonte de consulta: pesquisas de Carlos Alberto Pusineri Scala.

Autor: Javier Yubi.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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