Uma arte ancestral em perigo de extinção

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Por Elvio Díaz Valinotti, 12 de abril de 2013. Fonte: ABC Color (Tradução livre).

São mais de 40 anos de luta pela conservação de uma tradição que, a essa altura, parece dar seus últimos suspiros. Rosa Concepción Segovia encabeça um dos últimos grupos de artesãos que ainda dedicam tempo à confecção dos ponchos de 60 listas.

Desde os sete anos de idade esta mulher se dedica a tecer ponchos, graças aos conhecimentos herdados de sua mãe, quem, por sua vez, os recebera da avó.
Aos seus 49 anos, a artesã reflete e reconhece que a arte que ela ainda impulsiona tende a desaparecer devido ao insuficiente mercado.

“Antes se comprava muito. Minha mãe trabalhava com outras 17 pessoas e vendiam-se de 10 a 12 ponchos ao mês. Agora há vezes que passam três meses e se vende apenas um”, relata.

Rosa Segovia assegura que sua motivação para seguir em seu âmbito não é ganhar dinheiro, mas a vocação. A artesã esclarece que com este ofício já não pode manter uma família, como em anos anteriores.

“Isso é mais por minha paixão pela arte, porque eu gosto. Meu marido é empregado militar e esta é minha tarefa em casa”, observa.

Ela comenta que em cada manhã se levanta cedo para iniciar suas tarefas domésticas e, logo, dedicar horas a seu passatempo. Terminar um poncho consome muito trabalho, dedicação e disciplina.

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“Demanda muito trabalho. Trabalhamos entre quatro pessoas, 10 a 12 horas diárias e acabamos de tecer um poncho em 10 dias”, diz.

Muitas vezes o esforço não é recompensado devido à falta de vendas, restando a espera por alguém que saiba admirar esta modalidade artística.

“Temos pouca venda e o custo que temos de material é muito alto”, afirma Segovia.
Apesar de se tratar de prendas que identificam o Paraguai, a matéria prima – ou seja, os fios – é importada.

Tratam-se de fios de costura trazidos do Peru, apreciados por sua composição de algodão, segundo explica Segovia.

Em décadas anteriores, a matéria prima igualmente ficava por conta das artesãs, quem se encarregavam de tingir os fios.

“Minhas avós trabalhavam o fio e o tingiam. Depois veio o fio brasileiro, mas a fábrica acabou fechando”, recorda.

Sobre o motivo pelo qual não é possível utilizar o fio de costura paraguaio, Segovia diz em que o mesmo leva uma porcentagem de poliéster.

“O poncho te abriga no inverno e te cobre no verão”. Para isso, o fio deve necessariamente ser composto por 100% de algodão, explica a artesã.

Sobre a possibilidade de os elementos primários serem fabricados a nível local – reduzindo, dessa maneira, o custo –, a artesã indica que já houve conversas com uma indústria têxtil local, mas sem grandes avanços.

“Faz dois ou três anos que já pedimos. Inclusive, levei o pedido ao Ministério de Indústria e Comércio”, recorda.

A resposta dos empresários foi que, para lograr isso, deviam realizar um grande investimento, o qual, contudo, não daria retorno.

“Disseram-me que para fazer os fios necessita-se modificar as matrizes e, então, teríamos que comprar em grande quantidade, mas não há tanta demanda”, agrega a tecedora.

CARACTERÍSTICAS
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O poncho de 60 listas é uma prenda com 60 faixas brancas, intercaladas com franjas geralmente pretas ou vermelhas. Os mais complexos podem levar até seis cores, como explica Segovia.

Apesar de se tratar de um abrigo de grande “contundência”, pesa menos de um quilograma. “Pesa exatamente 835 gramas”, precisa Segovia.

Atualmente, o custo mínimo de cada prenda desse tipo ultrapassa os 1.300.000 guaranis (aproximadamente R$ 615,00).

UM OFÍCIO FAMILIAR

Rosa Segovia diz que o tecido do poncho de 60 listas constitui um ofício que só se conserva em Piribebuy e outras seletas localidades do departamento de Cordillera. A artesã assegura que sua família é uma das poucas da região que ainda conserva o conhecimento dessa arte.

“Comigo trabalham atualmente sete pessoas”, comenta.

Ademais, Segovia destaca que algumas jovens vizinhas parecem mostrar interesse em aprender, mas poucas são as que demonstram tenacidade.

“Algumas aprendem rápido, mas outras vêm por meses e não aprendem”, relata.

Sobre o futuro dessa arte que passou de geração a geração por décadas, Segovia lamenta que não haja suficiente apoio para perpetuá-la. A tecedora comenta que tem três filhos, mas nenhum poderia dar sequência ao ofício nas circunstâncias atuais.

“Somente em Piribebuy fazemos esse tipo de poncho, algo que já está se encerrando. Como diz minha filha, ela tem que estudar e não vai poder sobreviver com isso”, lamenta.

Com relação à predisposição de terceiros, Segovia explica que dificilmente “assumirão a tarefa”, já que os jovens preferem ir a Assunção e trabalhar até mesmo em ofícios domésticos, nos quais podem ter rendas maiores e permanentes. Ademais, para dificultar a situação, a confecção do poncho de 60 listas não pode ser realizado por apenas uma pessoa.

“Esse é um trabalho em equipe”, sustenta a artesã ao falar deste trabalho de grande envergadura.

EXPORTAÇÃO?

Sobre a possibilidade de exportação, Segovia indica que é praticamente impossível realizar envios massivos nas atuais condições. A artesã recorda que se realizaram conversas com empresários chineses interessados em levar as prendas ao seu país, mas que requeriam compras em grande número.

“Eles te pedem 100 ponchos em um mês, uma coisa impossível sem que se perca qualidade”, afirma.

Ademais, Segovia explica que faltam tecedoras suficientemente capacitadas, além de muitas delas terem escassa dedicação.

“Cheguei a analisar a possibilidade de exportar, mas não tenho gente. Não posso fazer milagres, não posso tecer 100 ponchos sem perder a qualidade”, insiste.

A artesã explica que, com este panorama, não sabe até quando perdurará seu trabalho. “Predisposição de ensinar eu tenho, mas há poucos interessados”, diz.

“Este é um trabalho muito bonito, mas com ele não vamos sobreviver”, finaliza a artesã.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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