Itaipu terminará custando mais de US$ 60 bilhões

Por Ramón Casco Carreras. ABC Color, 19 de abril de 2013. Tradução livre.
itaipu-represa

Às “razoáveis presunções financeiras” que permitiram o respeitado economista norte-americano Jeffrey Sachs concluir que a dívida de Itaipu está paga, adicionamos um feito como argumento: até dezembro de 2006, a entidade binacional, segundo seus próprios registros contábeis, havia pagado a seus credores 30,7 bilhões de dólares, restando ainda abonar 31 bilhões de dólares até 2023. Em outras palavras, o custo da obra do século XX saltará com folga a barreira dos 60 bilhões de dólares.

O documento, que pôde burlar as “barreiras binacionais”, revela que até 31 de dezembro de 2006, Itaipu já havia pagado US$ 30, 7 bilhões. / ABC Color.
Fonte: http://www.abc.com.py/edicion-impresa/economia/itaipu-terminara-costando-mas-de-us-60000-millones-562420.html

Seria redundante insistir que o principal beneficiado financeiro com o segundo filão de negócios da obra do século XX foi a Eletrobrás, empresa mista brasileira que, ademais, explorou com boas margens o veio energético deste prolífico negócio.
De acordo com os documentos resgatados do “patrimônio documental” da entidade binacional, graças a oportunas filtragens, a bola de neve que ainda rola costa abaixo começou com o empréstimo de US$ 3,566 bilhões que a Eletrobrás concedeu a Itaipu, com uma taxa de juros na ocasião de 10% anuais mais correção monetárias e “outras taxas”, segundo o documento de referência.

À sombra do ditador
O material consultado igualmente consigna que “o contrato de financiamento foi firmado em cerimônia no Palácio de López em dezembro de 1975”, obviamente à sombra de seu ocupante de turno e principal responsável do Tratado de Itaipu, que havia sido assinado dois anos e oito meses antes: o ditador Alfredo Stroessner.

Agrega nossa fonte de consultas que o financiamento do projeto foi feito “em sua quase totalidade com recursos provenientes de empréstimos”. Ademais, que “os empréstimos para a implantação do empreendimento foram contratados com a Eletrobrás e com outras fontes, brasileiras e internacionais”. Menciona-se, também, que “os primeiros desembolsos dos créditos foram recebidos em 1974”.
O registro em questão aponta igualmente que ao 31º de dezembro de 2006, o saldo devedor da entidade binacional era de US$ 20,2 bilhões. Apesar de não ser mencionado o “arranjo de São Paulo de 1997”, que acrescentou a espúria dívida de US$ 4,194 bilhões, resultante de tarifas irreais que a binacional aplicou em benefício das empresas elétricas brasileiras, outros informantes asseguram a soma abonada, assim como a do saldo mencionado.

Obra do século XX, custo do século XXI
O saldo atual da dívida da entidade binacional, segundo informes brindados pelo presidente da Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai (ANDE), engenheiro Carlos Heisele, se aproxima dos US$ 13,9 bilhões. Ou seja, em sete anos foram reduzidos US$ 6,3 bilhões.
Outro documento, também de Itaipu, destaca que no lapso compreendido entre 2008 e 2023 – ano em que, em teoria, a binacional cancelará seu passivo e que, segundo o artigo VI do Anexo C, as Altas Partes Contratantes poderão revisar as questionadas imposições do documento –, a entidade, sem contabilizar a soma abonada em 2007 sobre os US$ 30,7 bilhões já remessados, ainda deverá pagar US$ 30.330.892.820,85.
Em outras palavras, a obra do século XX terminará batendo o recorde de custos do século XXI: mais de US$ 60 bilhões.

“Somente a água”
No passado, com uma recorrência digna da melhor causa, incluída ainda no presente, colonialistas e colonos nos agoniavam com a frase: “em Itaipu, o Brasil pôs o dinheiro, enquanto o Paraguai somente a água”, uma filosofia que imediatamente depois adotaram e aplicaram os governos argentinos de turno em Yacyretá. Em rigor, em obras da natureza de Itaipu e Yacyretá, dever-se-ia inverter a ordem dos fatores, porque, nesse caso, seu ordenamento altera o produto. A verdade é que em Itaipu e Yacyretá, o Paraguai pôs a água, enquanto Brasil e Argentina apenas o dinheiro. A lógica é simples: sem água não há energia.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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