O idioma guarani, história e símbolo

Por Javier Rodríguez, correspondente de Prensa Latina en Paraguay. Tradução livre.

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Asunción (PL) A dominação espanhola no passado mais longínquo, as guerras modernas que sacudiram o Paraguai e a infiltração de costumes e interesses forasteiros não puderam apagar do país e de outras zonas sul-americanas a presença do guarani.

É consubstancial com a história do povo paraguaio e tipo de símbolo de rebeldia cultural das populações autóctones.

Incorporado como idioma oficial à Constituição paraguaia de 1992, compartilha essa denominação com o castelhano, mas é falado por quase sete milhões de pessoas na nação, ainda que em diferentes variantes linguísticas, e é ensinado obrigatoriamente nos centros educativos.
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Vale dizer que, além de ser usado abundantemente em todo o território paraguaio, o guarani é uma das línguas oficiais do Estado Plurinacional da Bolívia desde 2009, e é falado no nordeste da Argentina, inclusive convertido também como língua oficial na província de Corrientes, junto com o castelhano.

Na realidade, é a língua nativa dos povos originários dessas zonas, ainda que no caso do Paraguai tenha um uso intensivo e amplo em distintas modalidades, mas abarcando, como idioma materno, a maioria do povo da nação mediterrânea, hoje calculado em quase sete milhões de habitantes.

É assim que muitos paraguaios falam, na realidade, o chamado jopará, que conjuga palavras do castelhano com o guarani puro, especialmente nas zonas urbanas e de maior desenvolvimento no território nacional.

Dados históricos que falam da pureza desse idioma remontam ao chamado guarani missioneiro, em referência àquele usado na época da vigência das numerosas missões dos jesuítas, mais ou menos uma etapa entre 1632 e 1787.

Desta época, há uma grande quantidade de escritos como herança de indubitável valor histórico, que incluem aportes das várias etnias assentadas no Paraguai.
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Designadas segundo áreas geográficas daqueles tempos, falam do “Guarani Ocidental”, “Ava Guaraní” e “Aché”, entre outras.

O mencionado jopará, asseguram os analistas, inclui vocábulos espanhóis em sua gramática e prosódia, mas requer, evidentemente, um estudo para qualquer um que apenas fale castelhano, apesar de contar em seu conjunto com palavras e até frases desse idioma.

Formando parte do sistema educacional, o ensino do guarani desde as primeiras séries faz calcular ao redor de 90% de cidadãos no país dominantes em distintas formas da língua, aos quais não é estranho seu uso, especialmente nos meios de difusão do rádio e da televisão, bem como em atos públicos.

Contudo, há opiniões sobre os supostos perigos que corre a permanência do guarani no Paraguai.

Recentemente, especialistas do Ministério da Educação alertaram sobre deficiências no estudo do guarani nas escolas, alegando a pouca qualidade e, inclusive, citando as ideias de alguns setores para intensificar o ensino do idioma inglês.

Em um seminário sobre bilinguismo efetuado em Assunção, organizado pelo Ministério de Educação e pela Organização de Estados Americanos, Ramón Silva, um dos participantes, assegurou que os problemas mencionados apontam para o desaparecimento do guarani dentro de duas gerações.

Silva assegurou que tem diminuído o uso do idioma nos lares entre as crianças, que somente o aprendem nos colégios, onde não é suficientemente falado, algo imprescindível para a permanência da língua.

Tal critério foi rebatido pela presidente do Ateneu de Língua e Cultura Guarani, David Galeano, quem afirmou que isso é difícil de crer, partindo da base da quantidade de pessoas que ainda dominam o idioma.

As estatísticas oficiais dizem que existem, pelo menos, quase três milhões de paraguaios monolíngues, ou seja, possuindo como único idioma o guarani, enquanto quase nove milhões de cidadãos de países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) dependem fundamentalmente dessa forma de comunicação.

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Galeano acrescentou em sua explicação que o guarani é ensinado na Universidade de São Paulo, em Washington, na França e na Itália, somente para dar alguns exemplos.

Uma docente, Verónica Rodríguez, disse que ainda existe uma forte dependência do guarani, sobretudo em zonas rurais como Caazapá, San Pedro, Caaguazú e outros departamentos.

No que coincidem os docentes é que a metodologia de ensino do idioma nativo nas escolas pode, sim, repercutir negativamente na sobrevivência do guarani.

O guarani deve ser falado, pois nas instituições educacionais somente ensinam a ler e escrever, argumentou Silva.

Galeano, autor de vários artigos e livros sobre o idioma, criticou o sistema educacional e disse que se joga com a morte do guarani, pois o que se ensina realmente é o jopará.

O titular do Ateneu fez referência à baixa e confusa qualidade dos materiais acadêmicos elaborados pelo Estado e criticou a maneira de unificar termos em castelhano e em guarani.

De todo modo, para além dos diversos critérios, ficam as razões históricas que falam do guarani, não só como a primeira língua indígena a alcançar o status de idioma oficial, mas também por sua permanência como exemplo da lealdade de um povo a sua linguagem autóctone.

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O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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2 respostas para O idioma guarani, história e símbolo

  1. Pingback: Apoio dos brasileiros a língua guarani | PARAGUAY TEETE

  2. Muito obrigado pelas valiosas informações!! Eu adicionei este link em uma postagem que acabei de fazer sobre os idiomas Tupi, Guarani e Nheengatu em um dos meus blogs educativos.

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