Reduto em Palermo rende tributo ao acervo material e imaterial do Paraguai

ÑANDUTI py

Nesta quinta-feira (01/08/2013), apresentou-se no Guaraní Porá o caderno de ñandutí de Kumiko, outra iniciativa de Carolina Urresti que promove saberes e tradições da terra colorada.

Cuaderno Kumiko

Fonte: Luján Cambariere, Página 12 (Argentina), 3 de agosto de 2013.
Link: http://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/m2/10-2567-2013-08-05.html

Diario Pag 12

No ano passado, anunciamos a inauguração do Guaraní Porá, um precioso reduto em Palermo onde a estilista e desenhista de moda Carolina Urresti rende tributo ao belo acervo material e imaterial do Paraguai, basicamente, o trabalho de mãos artesãs, muitas vezes pouco reconhecido ou celebrado.

“Com o tempo, acentuou-se minha vontade de compartilhar tudo o que foi vivido na terra colorada – dizia, então – e difundir aquilo que me comoveu: a mão alçada que trabalha com dedicação cada flor sobre o couro, o cabo tecendo sua trama na armadura de ferro, uma irmandade de mulheres compartilhando os desenhos que se formam em linhas em uma antiga redução jesuítica. O Paraguai é um país muito rico em artesanato tradicional. Existe uma comunhão entre o homem, a natureza e a matéria-prima que esta lhe outorga. O ritmo do dia é marcado pelo sol que sai e que se põe”, contava Urresti a seu tempo.

Entre elas, o ñandutí, renda branca, muito fina, originário desse país, que imita o tecido de uma teia-de-aranha. Um excelente trabalho com agulhas, tecido sobre placas em círculos radiais, bordando formas geométricas ou zoomórficas, em linha branca ou em cores vivas. Símbolo da cidade de Itaguá, aranha branca em guarani, o ñandutí é considerado o rei de todo o seu artesanato.

É por isso que no ano passado, Urresti decidiu fazer mais pela promoção destes acervos, e começou, no mesmo espaço de venda e exibição, oficinas de ñandutí. Foi justamente uma aluna, a japonesa Kumiko Kuno e seus delicados desenhos sobre o trabalho em classe, o que motivou a documentação de todo o processo como um modo adicional de compartilhar esses conhecimentos.

Elegeu-se, assim, o dia 1º de agosto de 2013, Dia da Pachamama, para apresentá-lo. O convite vinha com arruda e cana (outra tradição, desta vez etílica, do nordeste argentino, especialmente enraizada em Correntes, onde um trago (sete, em realidade, sustentam os mais supersticiosos) de cana com arruda deve ser tomado para “espantar os males do inverno” e trazer a boa sorte, conta Urresti.

Por que você começou com as oficinas?
– O ñandutí é conhecido como o artesanato “estrela” ou emblemático do Paraguai. A partir da abertura do Guaraní Porá, algumas pessoas perguntavam sobre a técnica. No entanto, não foi tarefa fácil me encontrar com os professores. Contatei a Embaixada do Paraguai e suas respostas e desconhecimento, a princípio, foram bastante desmoralizadores. Foi assim que segui rastreando e, através da Casa Paraguaia de Buenos Aires, encontrei o centro social e cultural Silvio Morinigo de San Justo. Fui a um festejo popular e ali me puseram em contato com Dina Mereles, professora da instituição.

Como foi a experiência? É difícil aprender?
– Dina e seu marido Antolín hoje são parte vital do Guarani Porá. Não somente porque são muito bons mestres da técnica, mas, também, porque nos ensinam tudo o que conhecem com relação às tradições, saberes e conhecimentos da terra colorada. Com o aprendizado do tecido, deve-se reverter a equação utilitária e de curto prazo para aprender a técnica. Não se trata de querer fazer o produto utilitário, decorativo ou para presentear. Deve-se sentar, dedicar-se, tecer e, sobretudo, desandar o caminho para aprender corretamente. A linha e a agulha às vezes se ressentem e é preciso respeitar esses momentos.

Conte-nos sobre Kumiko…
– Kumiko é japonesa e viveu em Buenos Aires durante 2012, já que veio acompanhar seu marido, que é professor de literatura latino-americana e veio fazer uma pós-graduação. Ela tem muita facilidade para trabalhos manuais e para o tecido, e se inscreveu em várias oficinas (de bordado, com Guilermina Baiguera, na oficina de Maminas). Durante todas as aulas, Kumiko registrava em desenhos e esquemas os pontos e tecidos aprendidos. Complementava, ademais, as anotações com textos em japonês, que logo foram traduzidos.

Por que a necessidade de editá-los e para quem pensaram compartilhar?
– Sempre me chamou a atenção seu caderno Rivadavia, e uma vez pedi para vê-lo, no que me dei conta de que a informação e descrição que ela havia detalhado não poderia deixar de ser compartilhada. Ela retornou ao Japão em abril e segue tendo aulas com uma mestra paraguaia lá. Em dezembro, nos reunimos com ela e apresentei minha vontade de editar os três meses de aulas que ela havia documentado. Foi assim que, como primeiro passo, rescrevemos juntas as anotações. Logo, pedi a colaboração de todos aqueles que eram também alunos e montamos a equipe de trabalho interna. Tanto a fotógrafa como a desenhista gráfica de O caderno de ñandutí de Kumiko foram também alunas da oficina. Magali Saberian começou a fotografar algumas aulas, os trabalhos e os mestres. Sabrina Mazzalupo se encarregou do desenho gráfico. E muitos amigos meus participaram e foram colaborando com o projeto editorial. Creio que o disparador foi pensar em todo o grupo de alunas como potenciais destinatárias do caderninho. E assim foi que reunimos muitos materiais, como uma espécie de passo-a-passo. Como antigamente eram os fascículos de saberes artesanais, hoje seria um tutorial. Nunca havia imaginado que ia editar um caderninho explicando a montagem básica e o aprendido no lapso de três meses. O estar aprendendo nos enfrenta com o fazer e o compartilhar de vontades, revelando sonhos que não sabíamos que eram tais.

Termo para Tereré em Ñandutí

Termo para Tereré em Ñandutí

Sapatos com renda de Ñanduti

Sapatos com renda de Ñanduti

540531_288123214599949_147732838_n

Bandera paraguaia feito a mao em Ñanduti.

Bandera paraguaia feito a mao em Ñanduti.

Visite o site de Guarani Porã: http://www.guaranipora.com/guaranipora.php

Anúncios

Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
Esse post foi publicado em Prensa / Imprensa e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s