A guarânia cresce na voz de Ricardo Flecha

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Ricardo Flecha
Donde la Guarania Crece (“Onde a Guarânia Cresce”) é o novo disco do cantor.

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Nos anos setenta, Maneco Galeano pôs música a uma das homenagens mais justas e sentidas que recebera, desde a poesia, José Asunción Flores: “Donde la Guarania Crece”, um poema que Augusto Roa Bastos escreveu e publicou nos anos cinquenta. “Se a garganta nos dói / para cantar com o povo / é melhor que nos queimem / as palavras e o alento”, diz Roa ao princípio do texto dedicado a um “José Asunción envolto em chama pura”.

Essa criação musical quase mágica de Flores haveria de ter, ao longo do século XX e desde 1925, grandes compositores. É essa música e são esses compositores clássicos que o intérprete Ricardo Flecha homenageará em um disco e com um show na próxima sexta-feira, 23 de agosto, às 20:30, na Sala “Baudilio Alió”, do Teatro Municipal. Antes, conversou com o Correo Semanal sobre um gênero musical que como cantor não desconhece, seguramente, e que desde pequeno aprendeu e ensinou a amar.

Por que cantar guarânias hoje?
– Para responder sua pergunta, temos que repassar um pouco da história. Assim vemos que a guarânia é o único gênero músical nosso, criado por José Asunción Flores, quem em 1925, experimentando sobre uma velha canção popular, Ma’erãpa Reikuaase, conseguiu chegar ao gênero da guarânia, ritmo que converte o Paraguai em um dos poucos países do planeta que têm uma música própria cujo autor se conhece.
A partir daqui, a guarânia cresce, se desenvolve aqui, em nosso país, e em outros também, influenciados por nossos grandes criadores.
Com o tempo, sua difusão foi se fazendo cada vez mais difícil. Durante a ditadura, tentaram proibir seus criador e, de alguma maneira, silenciá-la. Na década de 1970, jovens entusiastas trabalharam intensamente para difundir a obra do criador, compondo novas guarânias; alguns deles são Maneco Galeano e Carlos Noguera.
Hoje, queremos renovar nosso compromisso, mas com voz própria. Nossa intenção é dar alento à criação de novas guarânias, que falem de nosso tempo, de nossa realidade atual, do tempo que nos cabe viver. A guarânia nos identifica, assim como o guarani. Queremos trabalhar com este gênero musical, incentivar a criação de novas obras, a partir de uma aproximação com os jovens compositores, para dar aporte ao repertório e fortalecer nossa identidade, e então trabalhar para sua difusão.

Aqui estão suas guarânias preferidas?

Aqui estão as guarânias que aprendi desde pequeno e outras que tive a sorte de que grandes mestres como Emilio Bobadilla Cáceres, Agustín Barboza e Óscar Cardozo Ocampo me ensinassem.

Quem você pensa que são os nossos clássicos compositores de guarânias?

– Sem dúvida, a dupla Manuel Ortiz Guerrero e José Asunción Flores não tem igual. A guarânia teve grande auge e grandes cultores, como Víctor Montórfano, Demetrio Ortiz, Mauricio Cardozo Ocampo, Eladio Martínez, Carlos Miguel Jiménez, Carlos Federico Abente, Agustín Barboza e Herminio Giménez. Muitos deles foram os grandes defensores do gênero.

A guarânia tem cultivadores, com relação à composição, nos músicos das novas gerações? A guarânia cresce?

– Como dizia anteriormente, nos preocupa, por um lado, a falta de difusão da música paraguaia, e especialmente a guarânia, o que traz como consequência o desconhecimento e, consequentemente, a falta de interesse.
Isto é em linahs gerais; mas toda regra tem sua exceção, e isso permite que haja alguns jovens que, vencendo todas estas barreiras, estejam incursionando por este gênero e aportando novas criações; entre eles poderíamos citar alguns que conheço: Hugo Ferreira, David Portillo, Víctor Riveros e Pedro Martínez, por exemplo.
Eles vêm trabalhando nesta senda quase em silêncio e com muita seriedade; esperamos que este trabalho que buscamos iniciar agora, em torno da guarânia, nos permita em pouco tempo descobrir e identificar novos compositores e intérpretes, e junto com eles possamos concretizar isto de que “a guarânia é a trilha sonora do Paraguai profundo”.

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Fonte: Blas Brítez, Última Hora (PY), 17 de agosto de 2013.
Link: http://www.ultimahora.com/la-guarania-crece-la-voz-ricardo-flecha-n714042.html

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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5 respostas para A guarânia cresce na voz de Ricardo Flecha

  1. katia disse:

    Gostaria do contato telefonico ou email de Hugo Ferreira para trazê-lo a um show no Brasil. Tentei de várias formas mas não consegui.

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