Mangoré: uma vida em filme

Mangoré

Na presente nota, Leo Rubin, produtor do filme “Mangoré”, fala sobre as dificuldades do projeto, assim como da necessidade urgente de uma lei de cinema.

–Por que escolheram a figura de Agustín Barrios para o filme?
–Porque sua vida é de filme. Porque é o mais universal dos paraguaios, um ser humano completo, alguém que lutou por seus ideais e que, apesar dos problemas que se apresentavam, seguia sempre adiante.
Porque sua música comove. Porque pretendemos que se conheça mais sobre ele e que seu talento inspire mais pessoas, como vem fazendo aqui e em qualquer parte do mundo, como acontece com quem o escuta.
Quando você lê sobre sua vida e fala com pessoas que pesquisaram sobre ele, ou viaja, como fizemos, à Costa Rica ou a El Salvador, termina confirmando todas as afirmações positivas que imaginamos.
Mangoré é magia. Basta escutar um par de vezes suas composições que a pessoa já se comove.
Esperamos agora transmitir isso com muito respeito e dedicação.

–Será de caráter documental, argumental ou uma mistura de estilos?
–É um filme de ficção com atores e atrizes sobre uma parte de sua vida. Em parte uma biografia, com licenças, como se faz no cinema, desde Agustín criança até Mangoré.

–Que público esperam alcançar?
–Todos os públicos. Aqueles que queiram conhecer mais sua vida e sua luta. Não é um filme de ação, em que explodem carros. Para isso há outros tipos de filmes. Aqui se apela ao personagem.
Queremos que as pessoas se divirtam, riam e possam chorar de emoção. Queremos que muitas pessoas o assistam. Não é cinema arte. É cinema. Simplesmente isso.

Papel do produtor

–Qual é o papel de Leo Rubín como produtor?
–Um produtor é a cabeça do projeto. É o que trabalha antes, durante e depois. Grande parte de nosso trabalho as pessoas não veem diretamente.
Começa com uma ideia. Logo se busca uma equipe. Aliados, gente que em que confie e que possa devolver essa confiança. Alguém que pretende deixar o nome de Mangoré o mais alto possível e que se identifica com esse personagem. Todos lutam nesta vida.
O tema é como o fazer e como encará-lo. Ou você fica sentado vendo a vida passar ou vai atrás de seu sonho, como Mangoré.

–Entre as opções para a direção, por que optou-se pelo chileno-sueco Luis Vera?
–Por varias razões. Primeiro, é um grande profissional e com mais de 50 filmes entre ficção, documentários e especiais de TV. Também por conhecer o mercado paraguaio e sua gente, pois tem dois filhos estudando no Paraguai. Tem experiência em cinema aqui com “Mis Ameriguá”, um filme que é um marco.
Escolhemo-lo porque ele se identifica com o personagem e já fez obras de artistas da cultura chilena, como Neruda e Violeta Parra. Também porque trabalhamos juntos em um documentário em que ele me convidou a participar sobre o bicentenário de vários países da América Latina, e porque considero que seu cinema representa o cinema latino-americano.

–Algumas pessoas questionam que vocês tenham recebido apoio do Congresso, de Oviedo Matto, 200.000 dólares. O que você diz a respeito?
–Não sei quem questiona. E não me interessa. O Paraguai tem grandes atrasos. Não temos uma lei de cinema, nem incentivos como Argentina, Brasil ou México. Nós nos apresentamos para a Ibermedia e extraoficialmente ganhamos, assim como outros cineastas, como Pablo Lamar, Paz Encina e Renate Costa, e não podemos ter acesso aos fundos porque o Paraguai não cumpre sua parte.
Lamentavelmente, não pude ter acesso a outros fundos de Itaipu e Yaciretá como fizeram outras produções de filmes paraguaios, e este fundo apenas representa 17% do total.

Investimento milionário

–Quanto custará finalmente o filme?
–No cinema, ao que parece, nunca há um finalmente, mas o pressuposto é de 1.200.000 dólares, e é uma coprodução com Argentina, Brasil, Cuba, Venezuela e Espanha.
Além disso, nos apresentamos a um fundo alemão e, se ganharmos, devemos incluir um produtor alemão.

–Em que formato estão gravando?
–No digital. Estamos usando o que há de mais avançado em tecnologia, com câmera Red Epic e Red Scarlet, as mesmas utilizadas em grandes produções de Hollywood. Nós temos duas e James Cameron acaba de comprar 70 para “Avatar 2”.

–Algo mais a acrescentar?
–Mais além do significado cinematográfico e cultural que esta obra tem, e sem pretender moralizar, creio que o filme pode ser um importante aporte por seu conteúdo de valores em um personagem que não só representa o melhor do ser humano, que é sua criação e o amor pelo que aspira, mas que o faz com honradez, sem passar por cima de ninguém. Sem desejar subornar nem, tampouco, humilhar.
Um filme que mostra um paraguaio lutando pelos mais nobres ideais, com uma alta autoestima e que deveria ser incluído nos novos paradigmas do Paraguai que queremos e aspiramos como sociedade.
Este pode não apenas ser um projeto-país como filme, mas também uma imagem-país do nosso melhor diante do mundo, diante de tanto “anti-valor” que nos marca internacionalmente, como país pouco sério, de traficantes e contrabandistas, corrupto e sem instituições que se respeitem. Mangoré é o contrário de tudo isso.

Atores e técnicos de primeiro nível

–Alguns dos artistas que colaboram no projeto.
–Damián Alcázar, um dos maiores atores do México, tem muitíssima experiência. Já fez filmes como “O Crime do Padre Amaro”, “A Lei de Herodes” e também participou de “As Crônicas de Nárnia”. Celso Franco e Lali González, que surpreenderam em “7 Caixas”. Daniela Ornelhas, de “Cidade de Deus”, é a atriz brasileira com quem estamos fechando contrato. Joaquín Serrano, de “Liberdade”, e muitos mais. São algo em torno de 90 atores e atrizes.

–Quem são os profissionais em produção que te acompanham?
–A ficha técnica inclui Javier Arroyo na direção de fotografia, Gabriela Sabaté na direção executiva, com Gaby Cueto, que faz oficina em Buenos Aires. Mauri Rial é assistente de direção. Osvaldo Codas no figurino, o arquiteto Dos Santos na arte, Berta Rojas no violão, Luis Szarán na música. São muitos profissionais de primeira.

Fonte: José Luis de Tone, ABC Color (PY), 3 de maio de 2013.
Link: http://www.abc.com.py/edicion-impresa/artes-espectaculos/mangore-567719.html

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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4 respostas para Mangoré: uma vida em filme

  1. Márley disse:

    quando sera lançado:
    ??????????

  2. Mauro disse:

    Finalmente un digno homenaje a un Paraguayo tal-vez el mas grande compositor y guitarrista que el mundo ya pudo ver

  3. Quando poderemos ver esse filme no Brasil?

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