O rock sinfônico do Paiko

Entrevista feita pelo jornal ABC Color em 16 de setembro de 2011.

12 anos de história, 5 discos editados e centenas de shows fazem do Paiko uma das bandas de rock mais emblemáticas do país.

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A dias do “Paiko Sinfônico”, um concerto inédito que reunirá a banda com a Orquestra Sinfônica Nacional. Enrique Zayas (voz) nos adianta que planeja-se editar o espetáculo em 2012, em CD e DVD.

“Paiko Sinfônico” é o nome do novo desafio que Enrique Zayas, Carlo Borghetti, Rodrigo “Afi” Ferreiro e Sebastián Gulino compartilharão junto aos 90 músicos da Orquestra Sinfônica Nacional na próxima sexta-feira, 23 de setembro [de 2011].

A combinação dos mundos clássico e elétrico será o motor do trabalho conjunto entre o maestro Juan Carlos Dos Santos, diretor da Orquestra Sinfônica Nacional, e o Paiko.

Em entrevista ao ABC Digital, Enrique Zayas, voz e violão, nos fala desta nova aventura musical que em poucos dias levará ao palco do teatro do Banco Central do Paraguai, junto com seus companheiros de banda. Ademais, aproveita para recordar os primeiros tempos do grupo, suas referências musicais e sua postura com relação à propriedade intelectual e à vigência do cânon digital.

– Como o Paiko decide se reiventar e convocar a Orquestra Sinfônica Nacional para o “Paiko Sinfônico”?
– Na realidade, o maestro Juan Carlos Dos Santos nos propôs fazer o “Paiko Sinfônico” após um show em que atuamos juntos, Paiko e a Orquestra Sinfônica Nacional, no aniversário do Bolsi. Foi em dezembro do ano passado [2010]. Fizemos três canções, uma delas com Gloria del Paraguay. Saiu muito bom e o público ficou susrpreso com a fusão, e assim surgiu a proposta, que nos encantou. Ter uma orquestra de noventa músicos tocando suas canções não se consegue todos os dias!

– Os arranjos estão a cargo de Remigio Pereira. Como se viveu a etapa de pré-produção do concerto e a tomada de decisões artístico-musicais?
– O rascunho do repertório já havíamos feito em dezembro do ano passado, e em junho deste ano [2011] acertamos o repertório final do show em nossa sala de ensaio, junto com Remigio Pereira. Realmente foi muito complicado, já que muitíssimas canções de Paiko, de todos os álbuns, são boas para receber uma versão sinfônica. Seguimos nossa intuição, e por sorte Remigio e toda a Sinfônica nos deram total confiança com a escolha do repertório.

– Como se conseguiu um equilíbrio com os novos arranjos sinfônicos para manter a essência das canções?
– Com as canções escolhidas, Remigio fez os arranjos sem neutralizar a essência da banda de rock que é o Paiko. Muita gente acredita que vai ser um acústico, e vai ser bem o contrário, vai ser um show muito forte, de alto volume, com muita força, e muito inovador. Com todos os climas. Em cada canção há um momento em que o protagonista principal é a Orquestra Sinfônica e, em outro momento, dentro da mesma canção, o protagonismo é do Paiko. O equilíbrio se atinge, suponho, porque Remigio se comprometeu realmente dentro de cada canção, potencializando a musicalidade de cada parte de cada tema, com os instrumentos indicados da Sinfônica.

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– Como se construiu o repertório das canções que integram o show?
– Basicamente são as canções mais conhecidas que marcaram várias épocas, mais canções que não são hits, mas que se reinventaram ao se fundirem com a Sinfônica e cresceram de um modo abismal.

– A ideia é editar a apresentação em um disco e sua filmagem para uma edição em DVD. Como se planeja o lançamento destes projetos?
– O DVD e o CD serão lançados em 2012. O planejamento técnico é bastante complexo, mas temos a experiência do disco anterior, que foi ao vivo (Bien Vivo, 2010), e estamos usando tecnologia de ponta para o áudio e as imagens. Temos vários profissionais empenhados, com quem já trabalhamos anteriormente. Temos reuniões diárias no mesmo teatro do BCP para acertar detalhes de tomadas de câmera, e para que tudo possa estar controlado.

– Voltando aos velhos tempos, o que foi mais difícil que tiveram que atravessar para abrir as portas e encontrar um espaço na cena roqueira local?
– Quando começamos com o Paiko em 1998, tocar canções próprias em espanhol no Paraguai era “vairo” para a maioria das pessoas. Com nosso primeiro disco, “Al Natural”, este conceito mudou. Talvez as pessoas necessitassem ter também seus artistas, como cada país tem os seus próprios.

– O rock nacional está em um processo em que cada dia mais encontra um som próprio e um público fiel. Qual é a sua visão sobre esta nova geração de músicos e seguidores do rock local?
– Na nova geração, talvez alguns já deixaram de ser promessa, como Salamandra, que têm a capacidade de criar boas canções e agradam muita gente. Além disso, escutei faz um tempo a Asunzion y a The Tempranos, que também são excelentes instrumentistas. Além dos já mais antigos, como Flou e Revolber, que acabam de autoproduzir shows de multidão. Há muito crescimento artístico e também por parte das pessoas.

Desde “Al Natural” (2000) até “Bem Vivo” (2010), como se define a evolução musical do Paiko, tanto com relação às composições como às apresentações ao vivo?
– Sobre as composições, estamos mais compenetrados. Temos mais facilidade de criar ideias e escrever canções. Ao vivo, agora, disfrutamos mais. Estamos mais relaxados, mais focados em transmitir bons momentos, porque nos sentimos mais soltos, mais seguros, e isso se reflete na expressão musical e corporal de cada um de nós.

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Paiko e a Orquestra Sinfônica Nacional apresentaram “Paiko Sinfônico”, em 23 de setembro de 2012.

– Em ocasiões, você comentou sofrer na própria pele os efeitos da pirataria, com os discos do Paiko. Faz tempo que você é reconhecido como uma das “vozes cantoras” a favor do respeito à propriedade intelectual e, nos últimos tempos, como defensor do cânon digital.
– A pirataria mata. Especialmente artistas de classe média como nós, que não somos Coldplay, Metallica ou Sting. Então, necessitamos poder cobrir nossos custos com a venda de discos.
Creio que temos que nos formalizar, como fazem grandes bandas e grandes artistas no mundo. Desde Pink Floyd, Guns ‘n’ Roses, Rolling Stones, Soda Stereo, Beatles, Juan Cancio Barreto, Flou, Maná, Juanes, passando por Charly García, etc. Todos trabalham dentro do sistema de direitos autorais. A Remuneração por Cópia Privada (Cânon Digital) é um ramo do direito de autoria, e os que abonam este cânon são os importadores, não a cidadania.

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– Dentro do novo panorama das bandas locais, quais são as que você mais gosta, com quem gostaria de compartilhar palcos ou projetos?
– Tive a experiência de ser convidado pela Revolber há umas semanas para cantar uam canção (“El Barba”), que já havia gravado anos atrás com eles. Foi no lançamento de seu DVD no Ferrocarril. Salamandra, Asunzion e The Tempranos são bandas que eu gosto de escutar ao vivo.

Qual é a música que você mais tem escutando ultimamente e quais são as mais influentes em sua vida e para a banda?
Escuto de tudo um pouco. No ano passado fui ao show de Paul McCartney em Buenos Aires, e este ano fui ao de Jamiroquai: dois mundos diferentes. Não escutaria em minha casa cachaca nem reggaeton. Em uma discoteca, com uma bela senhorita, se não há outra coisa, tenho que aguentar! (Risos)

Fonte: Jorge Coronel, ABC Color (PY), 16 de setembro de 2011.
Link: http://www.abc.com.py/articulos/el-rock-sinfonico-de-paiko-308394.html

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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