Decreta-se a abolição da escravatura no Paraguai

IMAGEN: "Slave Trade" del pintor inglés George Morland (1763-1804) Me gusta

IMAGEN: “Slave Trade” del pintor inglés George Morland (1763-1804)

Os primeiros escravos chegaram ao Paraguai no século XVI. Como informação curiosa podemos ressaltar que, já em 1596, um grupo de assuncenos decidiu construir um barco para trazer escravos diretamente da África. A embarcação se incendiou no estaleiro, e o projeto não resultou em nada.

Nem ao menos as autoridades espanholas quiseram fazer do Paraguai um ponto importante daquele negócio, na época visto como normal. Os escravos chegavam a Buenos Aires e, dali, eram enviados a Potosí, zona da atual Bolívia, célebre naqueles tempos por suas grandes minas de prata. Se aquele era um negócio considerado normal, também existiu o contrabando: em caminho até Potosí, muitos daqueles infelizes foram levados ao Paraguai. Outros entraram pelo Brasil, legal ou ilegalmente.

Como toda “mercadoria”, existiam diferenças na qualidade e no preço dos escravos:

1) “Cabeça de negro” (cabeza de negro) ou “cabeça de escravo” (cabeza de esclavo) era todo indivíduo, de qualquer idade, gênero e origem, trazido em barcos negreiros.

2) “Peças da Índia” (piezas de India) eram os escravos robustos, com todos os dentes, sem defeitos e em idade produtiva.

3) “Negro cabresto” (negro bozal) era o recém-chegado da África.

4) “Moleque” (muleque) era o negro “cabresto” de sete a dez anos.

5) “Molecão” (mulecón) era o negro de dez a dezoito anos.

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A escravidão no Paraguai só foi totalmente abolida em outubro de 1869. / Informe21.com

Os colonizadores não eram os únicos que subjugavam os negros. As ordens religiosas também contavam com grande quantidade de escravos negros, que constituíram a base populacional de Paraguarí, Roque González de Santa Cruz e Areguá. Também havia escravos em Emboscada e Villeta.

A Independência não aboliu a escravidão. Nos tempos do Dr. Francia, seguiram ingressando afrodescendentes ao Paraguai; alguns deles livres e outros fugidos do Brasil. El Supremo (afirma Josefina Plá) mostrou simpatia para com os negros. Em 1828, o adolescente José Urdapilleta matou com um tiro um escravo, talvez involuntariamente, e ocultou de Francia o fato. Este ordenou uma investigação criminal, na qual foram presos Pascual Urdapilleta, pai do menor, e seu advogado, Mariano Antonio Molas, prócer da Independência. Nos tempos de Francia criou-se a Escravatura do Estado, entidade governamental destinada à compra e à venda de escravos. A escravatura seguiu operando nos tempos dos López, apesar da lei do Ventre Livre, de 1842. De acordo com aquela lei, os filhos de escravos nascidos a partir de 1º de janeiro de 1843 seriam livres: os homens aos vinte e cinco anos e as mulheres aos vinte e quatro (em 1866 e 1867, respectivamente).

A lei de 1843 não beneficiava os nascidos antes, que seguiam sendo escravos. Na Guerra contra a Tríplice Aliança, cerca de 6.000 escravos negros foram recrutados. Em 2 de outubro de 1869 aboliu-se a escravidão no Paraguai, mas apenas 450 escravos desfrutaram deste logro, porque o resto havia permanecido no campo de batalha.

Fontes:
“Historie Physique, Economique et Politique du Paraguay et des Etablissements Jésuites” de Alfred Demersay / “La esclavitud en el Paraguay” de Josefina Plá, prólogo de Guido Rodríguez Alcalá / “Historia del Paraguay”, tomo II, Diario ABC Color.
Recopilação: Eduardo Nakayama

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O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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