Um pedacinho do Paraguai na zona oeste de São Paulo

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Ana Carolina Neira – O Estado de S.Paulo
13 de novembro de 2013 | 2h 10

A cena se repete todo fim de tarde, especialmente aos sábados e domingos: um grupo de homens se reúne para jogar bola na Praça Nicolau de Morais Barros, enquanto crianças se divertem brincando. Localizado na Rua do Bosque, no bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo, o lugar também é conhecido como a praça dos paraguaios. De fato, eles são maioria no entorno da pracinha, revitalizada em 2010 graças aos esforços dos imigrantes. Antes, o espaço estava abandonado e repleto de mato. Agora, se consolidou como ponto de encontro de pessoas que se unem em um país diferente em busca de apoio e, claro, tentam matar um pouco as saudades de casa.

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Um dos primeiros a chegar foi Humberto Jara, que mora em São Paulo há 40 anos. Ele decidiu se mudar para evitar os rigores da ditadura militar paraguaia. “Vim por razões políticas e fiquei. Depois de anos passando dificuldades, decidi que não quero deixar os paraguaios passarem pelo o que eu passei: os problemas com documentação e emprego, por exemplo.” Assim nasceu a Associação de Integração Paraguai-Brasil Japayke (“despertar”, em guarani), que há dois anos auxilia imigrantes e faz uma ponte entre as necessidades deles e as autoridades brasileiras, além das centrais sindicais que apoiam o movimento.

Segundo dados do Ministério da Justiça, o Brasil tem hoje mais de 20 mil imigrantes paraguaios regularizados. Nos últimos anos, esse número cresceu 50%, de acordo com os registros da Polícia Federal – 348.704 pessoas vindas do Paraguai entraram no País em 2010.

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Responsável pela Anistia Migratória, a Lei n.º 11.961/2009 foi outro fator importante para esse aumento, pois acertou a vida de cerca de 45 mil imigrantes que estavam em situação irregular no Brasil. Promulgada em 2009, ela dava direito aos estrangeiros que haviam entrado no País até fevereiro daquele ano a se tornarem cidadãos brasileiros.

Leo Ramirez veio para São Paulo em 2004, aos 18 anos. Como todo jovem, trazia na bagagem uma série de sonhos. Entre eles, fazer uma faculdade. “Um dia, jogando bola com uns amigos, ouvi um deles falar sobre um primo que estava vivendo aqui e conseguindo se virar. Conversei com ele e vim.” Foi por meio de outros imigrantes que conheceu Jara e passou a ajudar na associação.

“O maior problema do imigrante paraguaio é estar em uma cidade grande, vindo de um país pequeno. A segunda dificuldade é o idioma e, depois, a documentação, que é a mais grave”, afirma Jara.

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A assistente social Carla Aparecida Silva Aguilar é gerente da Casa do Migrante. Para ela, a lei brasileira que protege imigrantes tem uma falha, pois leva em consideração apenas os aparatos legais da situação. “O governo considera tudo, mas não pensa onde essas pessoas vão ficar. Dão uma carteira de trabalho, mas não dão um lugar para morar. Como alguém vai procurar um emprego se não tem nem onde morar? Imagine para uma família viver num albergue.”

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Pesquisador do Centro de Estudos Migratórios da Casa do Migrante, Dirceu Cutti afirma que uma pessoa acaba atraindo a outra e, assim, formam uma rede. “Em todo lugar, os primeiros a saírem do país não são os mais pobres, são pessoas que apenas querem tentar a vida em outro lugar e têm condições para isso. A partir do momento que se estabelecem bem aqui, os mais pobres também querem vir e montam a rede”, explica.

Para o futuro, a Japayke quer ter sede própria e firmar parcerias com o governo brasileiro, ajudando paraguaios que chegam e melhorando a vida dos que já estão na cidade. A Praça Nicolau de Morais Barros foi apenas o começo.

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Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,um-pedacinho-do-paraguai-na-zona-oeste-de-sao-paulo-,1096124,0.htm

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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