Julia Marino, a esportista que inaugurou a presença do Paraguai nas Olimpíadas de Inverno

Julia Marino, esquiadora, é responsável por colocar o nome do Paraguai pela primeira vez na história das Olimpíadas de Inverno. Marino, apesar de não ter conquistado medalhas no evento – realizado em 2014 em Sochi, na Rússia –, trouxe aos paraguaios um feito inédito e digno de ser celebrado.
Abaixo, traduzimos uma matéria da BBC Mundo, escrita pouco antes do início das competições, através da qual é possível conhecer melhor a história dessa jovem atleta.

Paraguai debuta nas Olimpíadas de Inverno

No Paraguai é muito incomum sentir frio. Sendo um país de clima subtropical, no inverno a temperatura medeia os cálidos 20ºC, e não há neve. Por isso, talvez, muitos se surpreendam em saber que a nação sul-americana participará este ano pela primeira vez dos Jogos Olímpicos de Inverno.

Fonte: Veronica Smink, BBC Mundo, 1 de fevereiro de 2014. Tradução Livre.
Link: http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2014/02/140131_paraguay_julia_marino_sochi.shtml

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Julia Marino será a primeira a levar a bandeira paraguaia aos Jogos Olímpicos de Inverno (fotos: Julia Marino)

Este marco histórico tem nome e sobrenome: Julia Marino. Assim se chama a esquiadora de 21 anos que representará o Paraguai nos Jogos Olímpicos de Sochi, na Rússia, que começará em 7 de fevereiro (de 2014).

Como chegou essa mulher, nascida no pequeno povoado de Bahía Negra, na região nordeste do Chaco paraguaio – uma das regiões mais quentes da Terra – a se converter na primeira paraguaia a competir nas Olimpíadas de Inverno?

Segundo contou à BBC Mundo, foi obra do destino: “Quando tinha oito meses, fui adotada por meus pais, que são estadunidenses, e me criaram na cidade de Winchester, no estado de Massachusetts, onde aprendi a esquiar”, relatou a esportista durante uma entrevista telefônica dada a partir de sua casa nos Estados Unidos.

A jovem sempre conservou a dupla cidadania, ainda que, na prática, tenha mantido poucos laços com seu país de origem, aonde nunca voltou durante sua infância e adolescência. Também não aprendeu a falar espanhol.

No entanto, em março de 2013, após obter o segundo lugar na Copa Mundial da Federação Internacional de Esqui, em Sierra Nevada (Espanha), que lhe permitiu pré-classificar-se para os Jogos Olímpicos de Sochi, Marino tomou uma decisão drástica.

“Tinha boas chances de me classificar para a equipe olímpica estadunidense, mas sentia que esta era minha oportunidade para ser vista em um cenário mundial e me pareceu que se fosse representando o Paraguai era uma grande maneira de devolver algo ao país onde nasci”, contou.

Nada simples

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Marino pratica o estilo livre, uma disciplina de esqui em que debutará em Sochi.

Foi assim que nasceu sua ideia de entrar em contato com as autoridades paraguaias para propor-lhes levar o país pela primeira vez às Olimpíadas de Inverno.

“Foram meses enviando e-mails, contatando as autoridades esportivas e apresentando toda a documentação necessária”, relatou a esportista, que recebeu sinal positivo da equipe olímpica estadunidense para mudar sua nacionalidade.

Segundo Marino, uma vez que viram que sua proposta era séria, os encarregados do Comitê Olímpico Paraguaio (COP) lhe deram seu absoluto respaldo.

Ainda assim, não foi fácil tramitar o primeiro ingresso do país ao evento mundial mais importante dos esportes de neve. Por não contar com uma associação nacional de esqui (um requisito para participar de eventos internacionais), o COP teve que exercer esse papel.

Finalmente, a Federação Internacional de Esqui aceitou o Paraguai em novembro como membro provisório, e, em janeiro, Marino confirmou seu lugar em Sochi, após obter os pontos necessários durante as provas de pré-classificação.

Orgulho guarani

“Estou tão orgulhosa de representar meu país de origem, é uma honra enorme ser a primeira paraguaia nos Jogos Olímpicos de Inverno”, exaltou a jovem à BBC Mundo após sua classificação.

No último novembro, Marino viajou a Asunción pela primeira vez desde que foi adotada e ali conheceu algumas das tradições culturais de seu país de nascimento.

“Escutei o guarani e provei o tereré (mate frio). É uma bebida realmente distintiva!”, contou a esquiadora, que esteve acompanhada durante sua visita por sua madrinha, uma mulher paraguaia que se fez amiga de seus pais quando estudava na universidade, nos Estados Unidos.

Os meios locais seguiram com interesse a visita. “Julia, defensora guarani em Sochi”, anunciava em um título o periódico ABC Color, logo após o presidente do Comitê Olímpico Paraguaio, Camilo Pérez, ter apresentado a esportista durante uma conferência de imprensa.

Pérez anunciou que Marino quer “fazer história”. “(Nos Estados Unidos) era uma esportista a mais entre milhares, enquanto aqui será a única representante de esqui”, afirmou à agência Efe.

Pioneira

Em Sochi, Marino não apenas será uma precursora por representar pela primeira vez o Paraguai. Também terá disputado uma categoria que estreia nestas Olimpíadas: o estilo livre, uma forma de esqui na qual os competidores devem passar por distintos obstáculos e rampas, realizando saltos e piruetas. Os esportistas são julgados por sua destreza e criatividade.

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Marino compete em torneios nacionais desde os 12 anos.

Trata-se de uma das categorias mais perigosas do esqui. A própria Marino já teve vários ferimentos desde que começou a competir em torneios nacionais, aos 12 anos. A finais de 2013, rompeu a clavícula, mas a lesão não a impediu de se classificar, no começo desse ano, para Sochi.

Marino acredita que isso também não será um impeditivo para conquistar uma medalha na Rússia. A jovem tem muita fé. Em 2010 conseguiu a medalha de prata nas Olimpíadas Juvenis de Inverno, façanha que espera igualar ou melhorar.

Porém, a competição não será simples, em especial por parte de suas ex-companheiras da equipe estadunidense, uma das delegações mais fortes.

Independente do que aconteça, Marino – que suspendeu por um ano seus estudos de psicologia na Universidade de Boulder, Colorado, para se dedicar inteiramente a treinar e competir – planeja voltar para visitar sua terra natal após o fim dos Jogos Olímpicos.

Seu sonho é fazê-lo com uma medalha olímpica no pescoço.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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