Cresce o interesse por aprender a falar línguas nativas

As aulas de quéchua, mapuche e guarani multiplicam seus estudantes.

Fonte: Silvia Barrojo, La Nación (Argentina), 31 de dezembro de 2010. Tradução livre.
Link: http://www.lanacion.com.ar/1227847-crece-el-interes-por-aprender-a-hablar-lenguas-originarias

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Estudantes e professores no Centro Universitário de Idiomas. Foto: Miguel Zuanich.

Mesmo que ainda seja pouco usual que institutos de idiomas em Buenos Aires ensinem línguas nativas, há alguns espaços que já oferecem esta alternativa, tendo cada vez mais interessados. É o caso do Centro Universitário de Idiomas (CUI) da UBA, que, em três anos, multiplicou por oito o número de alunos de quéchua, mapuche e guarani.

O programa de línguas nativas começou a ser ditado em 2006, com uma matrícula de 30 pessoas, enquanto que, em 2009, a cifra de inscritos ascendeu significativamente, para surpresa dos organizadores, chegando a 258 alunos. Em 2009, para o curso de quéchua, registraram-se 164 estudantes; para o de guarani, 77, e para o de mapuche, 17.

“O curioso é que grande parte da difusão destes cursos é de boca em boca. São os mesmos alunos que os promovem, e não os desertam; estão enganchados com as classes e as atividades culturais”, disse a coordenadora de línguas nativas do CUI, Mónica González Thompson.

Não há limites, nem faixas etárias específicas para estas aulas. “Tenho alunos muito jovens, que recém terminaram o ensino fundamental, até pessoas de mais de 70 anos. Todos com motivos diferentes”, explicou o professor de mapuche Tulio Cañu.

Tulio é originário da comunidade mapuche e, há vários anos, ensina em distintos centros culturais, estando no CUI desde 2006. “Minha ideia sempre foi revalorizar nossa cultura através do idioma e, ao pensar algo adaptado para o guariache (as pessoas da cidade, em mapuche), surgiu o projeto deste curso”, relatou o docente.

Mas a tarefa não foi tão simples para ele. Para ensinar mapuche não se conta com bibliografia específica nas livrarias, o que fez com que Tulio e a equipe docente da instituição elaborassem materiais didáticos e um dicionário de 2000 palavras, com os quais os alunos estudam.

“Parece velhinho, mas é porque foi muito usado”, disse Elpidia Carrasco, de 69 anos, enquanto mostrava o dicionário mapuche que leva em sua bolsa. “Sou gulu mapu (do outro lado da cordilheira, em mapuche) e sempre quis estudar mapuche, por meus ancestrais. Mas por falta de tempo não o fiz antes, por isso agora aproveito”, comentou Elpidia, que nasceu em Temuco (Chile) e, há mais de 50 anos, vive na Argentina.

Edgardo Hager, de 39 anos, não é descendente de nenhuma comunidade nativa – na verdade, seus ancestrais são alemães –, mas não titubeia em ressaltar o valor que tem para ele aprender a cultura do país a partir das línguas autóctones. “Sem nos darmos conta, em Buenos Aires usamos um montão de topônimos mapuches. Até em nomes de algumas cidades, como Cariló, que significa ‘duna verde’”, comentou Edgardo.

Estrangeiros no próprio país

Com o curso de guarani, acontece algo similar: os alunos buscam resgatar a língua que ainda se pratica em uma vasta região da Argentina, em especial, no litoral. “Muitos são descendentes e outros vêm por um interesse antropológico, para aprender a fonética e poder se comunicar com pessoas da comunidade”, explicou o professor Ignacio Báez, quem é “ava guaraní”, do Paraguai.

María Cristina Anari é uma de suas alunas e contou que, para ela, é um desafio estudar guarani. “É o sexto idioma que estudo, mas o guarani é um dos mais difíceis. Sou portenha e sempre tive alguma afinidade com esta língua; me interessa entendê-la e, assim, conhecer o idioma nativo de meu marido”, afirmou.

Segundo o docente e Marta Saldivia, uma estudante oriunda de Entre Ríos, o ensino desta língua não foi promovido durante muito tempo. “Que agora haja uma maior abertura para se ensinar esta língua e que se respeite a origem de nossa cultura é significativo”, disse Marta.

“Parecia a nós que era uma obrigação, do ponto de vista ético, realizar estes cursos, que buscam submergir em diferentes culturas através da língua. Às vezes nos parecem estrangeiras, mas são faladas em nosso território, por isso devíamos um programa assim”, sustentou o diretor do CUI, Roberto Villarruel.

As aulas de quéchua, guarani e mapuche começam em março e já estão abertas as inscrições. Na cidade de Buenos Aires, o Centro Cultural Rojas dita aulas de quéchua. E na Universidade Nacional de La Matanza, ensina-se guarani, quéchua e aimará.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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Uma resposta para Cresce o interesse por aprender a falar línguas nativas

  1. severiano disse:

    Q bien esa iniciativa de los profesores para enseñar a lengua nativa felicidades desde san pablo brasil

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