Carta Aberta ao Presidente da 44ª Assembleia Geral da OEA em Asunción*, por Martín Almada

Tradução realizada por nós.

Senhor Presidente,

O Marechal FRANCISCO SOLANO LÓPEZ foi o Segundo Presidente Constitucional do Paraguai, de 1862 a 1870.

Nesse período, o Paraguai foi o único país latino-americano comparável a qualquer potência mundial da época industrial, sobretudo social e economicamente. Houve distribuição da riqueza e não da pobreza. Não havia analfabetos, tampouco dívida externa, nem MONOCULTIVO. Foi abolida a escravidão. Foi o único país soberano da região.

O Marechal Francisco Solano López foi um Presidente ilustre e experiente em questões diplomáticas. Assim, logrou a UNIDADE da dessangrada República Argentina na qualidade de Mediador em 1859, quando era Brigadeiro. Concretizou com êxito sua missão no Pacto de San José de Flores. As partes conflitantes distinguiram o militar paraguaio com o título de “O PACIFICADOR”.

NUVENS ESCURAS SE FECHEM SOBRE O HORIZONTE DA PÁTRIA. A obsessão de López foi a defesa da SOBERANIA NACIONAL. O império da época, Inglaterra, ordenou nossos países vizinhos a destruir esta inédita experiência socioeconômica progressista e pacífica, um mau exemplo para a região. Para tal efeito, orquestrou-se a guerra da TRÍPLICE INFÂMIA com Argentina, Brasil e Uruguai (1865/1870).

Cometeu-se um genocídio contra o povo paraguaio, e López morreu lanceado pela tropa brasileira na última batalha, de “CERRO CORÁ”, pronunciando com valentia as históricas palavras de “MORRO POR MINHA PÁTRIA”. Em sua espada estava inscrita a mensagem: “VENCER OU MORRER”. Foi o único militar na região que morreu no campo de batalha em defesa da pátria. O único país que levantou sua voz de protesto foi o povo e o governo colombiano, em 27 de junho de 187. Sancionou-se a lei pela qual, em seu artigo 1º) admira a resistência patriótica e heroica do povo paraguaio. Artigo 2º) Participa da dor pela morte do Marechal Francisco Solano López, cujo valor e perseverança indomáveis, postos ao serviço da independência do Paraguai, lhe deram lugar distinguido entre os heróis e tornam sua MEMÓRIA digna de ser recordada pelas gerações futuras”.

LOGO DEPOIS, O PARAGUAI FOI COLOCADO À VENDA COMO EM UMA LICITAÇÃO. O QUE ACONTECEU EM CURUGUATY? A HERANÇA MALDITA.

O exército brasileiro, após o genocídio planejado pela Inglaterra e denunciado pelo doutor Juan Bautista Alberdi, argentino, grande anti-imperialista da época, ocupou nosso país, Paraguai, por mais de 5 anos (1869-1876) e aproveitou a ocupação para anexar a seu império 62.325 quilômetros quadrados (duas vezes e meia a ilha italiana de Sicília) da zona mais rica do Paraguai, onde justamente se encontra a hidroelétrica de ITAIPÚ, e também nos arrebatou a MEMÓRIA ao se apropriar do arquivo do Marechal Francisco Solano López.

Por ora, somente reclamamos ao governo democrático e progressista do Brasil que devolva ao Paraguai esse acervo cultural, o Arquivo Histórico Nacional, do único governo da região que promoveu um desenvolvimento político e econômico independente (entre 1811-1865).

Como os propósitos da OEA são “assegurar a solução pacífica das controvérsias que surjam entre os Estados-Membros”, vimos a solicitar os bons ofícios da OEA que, tanto o governo brasileiro como o paraguaio, peçam à UNESCO que o arquivo do Marechal Francisco Solano López seja declarado MEMÓRIA DO MUNDO, e que esteja à disposição de todos os cientistas sociais do mundo. Um passo importante para se atingir a verdadeira integração regional.

Brasil, Argentina e Uruguai não podem seguir ocultando seus crimes históricos. Confiscaram nossas terras, arrancaram nossos frutos, cortaram nossos ramos, queimaram nossos troncos, mas não puderam matar nossas raízes, muito menos nossa MEMÓRIA.

O passado se supera com a verdade, e não com a impunidade.

Saúdo-o com minha mais alta e distinta consideração.

MARTÍN ALMADA

PRÊMIO NOBEL ALTERNATIVO DA PAZ 2002 E MEMBRO DO COMITÊ EXECUTIVO DA ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE JURISTAS (AAJ)

Nota do tradutor:
* A 44ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) será realizada em Asunción, Paraguai, entre os dias 3 e 5 de junho de 2014.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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