José Luis Simón G. fala sobre a ameaça de “organizações do crime internacional” a jornalistas na fronteira brasileiro-paraguaia

Fonte: José Luis Simón G. (blog), 18 de maio de 2014. Tradução livre.
Link: http://jlsimong.blogspot.com.br/2014/05/organizaciones-del-crimen-internacional.html?spref=fb&m=1

Organizações do crime internacional do narcotráfico, através de seus sicários[1] na fronteira brasileiro-paraguaia, assassinaram com extrema sanha o jornalista Fausto Gabriel Alcaraz, de 28 anos, diretor da emissora “Radio Amambay 570 AM”, em represália por suas denúncias sobre as atividades de grupos de narcotraficantes, que, nessa região binacional, impõem sua “lei” de violência implacável e organizada. Isso ocorre em todo o Paraguai, não unicamente nas áreas de influência das cidades Pedro J. Caballero (Amambay, Paraguai) e Ponta Porã (Mato Grosso do Sul, Brasil), separadas apenas por uma muito ampla e grande avenida, zonas urbanas fronteiriças que compartilham vizinhanças sem o menor controle migratório, comercial, financeiro, aduaneiro, policial, militar e de qualquer outra manifestação da Lei e da ordem. A ausência do Estado em ambas as cidades, gêmeas idênticas em vícios e transgressão das leis, e violentas ao extremo, converteu em verdadeiro e único “aparato estatal” da região o poderio de fato das organizações criminais de narcotraficantes. Apenas conhecido o atentado terrorista dos sicários do crime transnacional da narco-atividade, que custou a vida do jornalista, escutaram-se vozes valentes de alguns colegas seus, que acusam o “senador” (por Amambay), do “opositor Partido Liberal Radical Auténtico” (PLRA), Robert Acevedo, dono da emissora de rádio, de ter utilizado Alcaraz de porta-voz “jornalístico” seu, e de seus chefes no crime organizado, para atacar seus inimigos, também criminosos e impunes, pois a imensa maioria das autoridades nacionais e departamentais são cúmplices das máfias de narcotraficantes, ao menos por omissão. Acevedo e sua poderosa família, igual a seu principal inimigo local (“homem de palha”[2] “pedrojuanino” de outros criminosos da narco-atividade), o governador Pedro González, também “liberal”, têm guardas pretorianos (metade uniformizados como paraguaios, metade como mercenários), equiparáveis aqui somente à segurança do presidente Horacio Cartes (igualmente suspeito de ter laços muito estreitos com o crime organizado transnacionalizado), enquanto que Alcaraz carecia, tão somente, de um guarda-costas! E quem diariamente denunciava criminosos com nomes, feitos, lugares, etc., dados que com seus próprios recursos, experiências e meios, era incapaz de obter.

José Luis Simón G.
(Apresentação-Introdução e seleção de conexões e textos)

Simón
Acima, da esquerda para a direita, o corpo estendido e coberto de Alcaraz, com o rosto e a cabeça destroçados pelos disparos mortais que recebeu, em sua maioria, no rosto e na cabeça (Fonte: Adn). À direita, acima, o até então impune Fadh Yamil (“patrão do mal” em Mato Grosso do Sul, Brasil), quem tem feito “negócios” criminosos no Paraguai, sempre impunes, desde a época do ditador Stroessner, e depois de 1989 (Fonte: Archivo abc). No meio, o veículo do jornalista assassinado, na entrada de sua casa, onde os sicários dispararam contra ele projéteis de 9 e 40mm (Fonte: Marciano Candia, UH). Abaixo, o “narco” senador Acevedo , do PLRA (Fontes: UH e abc). Esquerda, abaixo, busto e retrato a lápis de Santiago Leguizamón, o primeiro jornalista mártir paraguaio, assassinado em 1991, por haver denunciado as máfias do narcotráfico paraguaio-brasileiro (Fonte: blog de Andrés Comán G.), uma delas liderada por Yamil, quem, durante muito tempo, teve negócios financeiros com um “empresário de fronteira” paraguaio, Horacio Cartes, então fugido da (in)justiça do Paraguai, e hoje presidente da República, graças a sua imensa fortuna pessoal, de origens jamais esclarecidas.

Não é a primeira vez que se registra o extermínio de um jornalista por mãos de sicários do crime organizado e transnacionalizado do narcotráfico no Paraguai, ainda que também ocorra o mesmo no Brasil, e em maior número e ocasiões, logicamente. Mas o caso de Alcaraz é um caso especial de assassinato “escarmentador”, pois o jovem jornalista, baleado certeiramente no rosto e na cabeça, era o diretor oficial de uam emissora de rádio de Pedro J. Caballero, que pertence a um senador “opositor”, Roberto Acevedo, do Partido Liberal Radical Autêntico” (PLRA).

Acevedo é aliado-subordinado de um dos “patrões do mal” do Brasil e da região, Fadh Yamil, denunciado também por uma pluralidade de vozes sãs, entre elas a do falecido Santiago Leguizamón, jornalista mártir, também assassinado com ódio mafioso em 1991, pois investigava as relações desse brasileiro da narco-atividade local, regional e mundial, com o então presidente paraguaio, o general Andrés Rodríguez (1989-1993). Este havia se iniciado em tais negócios ao menos com a anuência do ditador Alfredo Stroessner, que derrocou em 1989 para que Rodríguez salvasse seu poder ocupando o poder, o que conseguiu o chefe militar da “abertura politiqueira” desse ano, processo este que nasceu (por suas origens) com decrepitude certificada e adiantada.

Desde seu início, a exitosamente iniciada “abertura desde cima” se relaciona com as já prevalecentes estruturas de corrupção sistêmica que imperavam no Paraguai e com a subordinação cúmplice a tais regras do jogo por parte dos líderes politiqueiros da partidocracia reinante (oficialistas e opositores: históricos, adultos e os mais jovens, surgido no pós-1989).

Tais forças formavam um arco desde conservadores extremos, incluindo reacionários, passando por reformistas apenas de palavra, até chegar a delirantes micro-agrupamentos “revolucionários”, muito estimulados pelo surgimento, na região, duas décadas atrás, do neototalitarismo castro-chavista, todas suas forças e líderes autênticos contemporâneos, filhos, netos e bisnetos da nefasta e nefanda ditadura stroessnerista da época da guerra fria (1954-1989).

Por exemplo, o “senador” (como tantos outros ocupa um assento no Parlamento graças ao seu dinheiro) Acevedo e sua família (braços de setores do crime organizado em partidos políticos, a imprensa e o Parlamento), estão inseridos em uma verdadeira guerra de máfias de narcotraficantes (é o que se diz publicamente na região binacional e fronteiriça paraguaio-brasileira), com seu correligionário, também “liberal”, Pedro González, o atual governador do departamento de Amambay.

Acevedo e González não seriam senão “capangas” ou comandados paraguaios de poderosas organizações de narcotraficantes que operam no mundo e no Brasil e se estendem pelo Paraguai e pela região, com quase total liberdade e impunidade, e que estão em guerra por negócios e territórios de influência. Ademais, no Paraguai, opera um grupo de narcoterroristas de “esquerda”, mal autodenominados pela sigla EPP [Exército do Povo Paraguaio], e impera uma crise de segurança cidadã generalizada, que se une à criminalidade comum em crescimento explosivo, e com graves problemas de indefensabilidade, em um contexto de poderosos vizinhos com tradição expansionista, e no marco da geopolítica do pró-totalitário castro-chavismo, ainda que este atualmente se encontre em crise terminal.

Mas, passemos a uma síntese do mais interessante publicado pela imprensa local:

“Sicários executam a tiros diretor da Rádio Amambay”
http://www.adndigital.com.py/policiales/item/40997-periodista-es-asesinado-a-balazos.html
“[…] Sicários executam a tiros o diretor da Rádio Amambay 570 AM desta localidade. Trata-se do comunicador Fausto Gabriel Alcaraz (28), que foi assassinado com vários disparos de pistola 9 mm. O feito foi registrado nesta sexta-feira, aproximadamente às 12h40, quando chegava a sua residência”. O agora falecido era homem de confiança do clã Acevedo (o senador Robert e seu irmão José Carlos, intendente da cidade) e o responsável por fazer todo tipo de ataques contra pessoas e ‘mal viventes’ da localidade de Amambay […]”.

“Alcaraz denunciou com nome e sobrenome os mafiosos”
http://www.ultimahora.com/robert-acevedo-alcaraz-denuncio-nombre-y-apellido-los-mafiosos-n795225.html
“[…] O senador liberal Robert Acevedo se referiu ao assassinato do comunicador Gabriel Alcaraz. Destacou que, se bem não consta ter recebido ameaças de morte, de seu programa de rádio, denunciou ‘com nome e sobrenome’ narcotraficantes da zona. Acevedo, cuja família pertence à Rádio Amambay 570 AM, indicou: ‘Eles (os narcotraficantes) não perdoam isso’, em referência às constantes denúncias feitas por Alcaraz, informou ao correspondente do Última Hora, Marciano Candia”.

“O político comentou em uma improvisada roda de imprensa que conversou com o comunicador aproximadamente 15 minutos antes de seu assassinato. ‘Estávamos falando justamente do mal que está a sociedade de Pedro Juan Caballero, de como as pessoas idolatram os narcos”, indicou. Lamentou o desfecho e qualificou como ‘insustentável’ a situação de violência em Amambay. Por volta das 13h00, o jornalista falecido encerrava seu habitual programa matutino de rádio, quando, ao descer de seu veículo, foi abordado por dois sicários em um moto, que dispararam contra ele a queima roupa […]”.

“Afirmam que o jornalista assassinado era exposto por senador”
http://www.adndigital.com.py/pais/item/41109-afirman-que-periodista-asesinado-era-expuesto-por-senador.html
“[…] Após o assassinato do jornalista Fausto Gabriel Alcaraz, de Pedro Juan Caballero, o comunicador Aníbal Gómez denunciou que seu colega era exposto pelo senador Robert Acevedo, dono da rádio onde trabalhava, já que este não se animava em denunciar os casos dos quais tinha conhecimento. Por outro lado, disse que há pouca esperança sobre a reação dos agentes policiais. ‘99% da população não crê no Ministério Público e na Polícia Nacional’, apontou […]”.

“Senador afirma que jornalista assassinado tinha pensamentos próprios”
http://www.adndigital.com.py/pais/item/41114-senador-afirma-que-periodista-asesinado-ten%C3%ADa-pensamientos-propios.html
“[…] O senador Robert Acevedo, dono da rádio onde trabalhava o jornalista Fausto Gabriel Alcaraz, assassinado na última sexta-feira, negou que tenha feito de títere o comunicador, segundo denunciou o comunicador Aníbal Gómez, que afirmou que o legislador expunha Alcaraz, marcando sua pauta com o que ele deveria dizer. ‘Isso não é certo, era um rapaz muito inteligente. Isso (de o ter como títere) é menosprezar quem ele era’, indicou o parlamentar em contato com a Rádio Ñandutí”.

Sustentou, ademais, que o jornalista possuía fontes seguras, e que nem a ele contava quem eram, para resguardar as identidades. ‘Ele não era um animal; ele tinha pensamentos próprios’, acrescentou. ‘Não preciso de ninguém para fazer as coisas, não é minha forma de trabalhar’, comentou Acevedo, que assegurou que sempre se atreve a dizer as coisas por seus nomes e que não se cala diante de nada. ‘Ele (Alcaraz) sabia ao que se expunha. Nós dois manejávamos informações importantes. Mas eu não lhe dizia ‘diga isso’’, esclareceu. Por outro lado, assegurou que não fechará sua rádio, e indicou que não seguirá fazendo o tipo de programa de Alcaraz, em que se denunciavam os narcotraficantes. ‘Não creio qie ninguém mais se animará para fazer isso, e eu tampouco estarei a expor alguém a isso’, pontuou […]”.

“Autópsia revela que o jornalista Gabriel Alcaraz recebeu 12 impactos de bala”
http://www.ultimahora.com/autopsia-revela-que-periodista-gabriel-alcaraz-recibio-12-impactos-bala-n795267.html
“[…] Os primeiros resultados da autópsia realizada no corpo do jornalista Fausto Gabriel Alcaraz, assassinado na tarde desta sexta-feira em Pedro Juan Caballero, indicam que a vítima acusou 12 impactos de bala, calibres 9 e 40 milímetros. Segundo indicou Samuel Valdez, o fiscal que investiga o assassinato de Fausto Gabriel Alcaraz, o comunicador recebeu 12 impactos de bala. A maioria dos disparos foram no rosto”.

“O crime comoveu toda a comunidade pedrojuanina, assim como o setor de jornalismo paraguaio, que sofre uma nova vítima no exercício da profissão. Instituições como a Sicom, o Partido País Solidario e o Sindicato de Jornalistas do Paraguai repudiaram o feito. Tem-se previsto que o SPP realize uma manifestação no sábado, às 8h00, em frente à sede do Ministério do Interior […]”.

“Do outro lado do silêncio: a guerra de narcos cobra a vida de outro jornalista” (por Andrés Colmán Gutiérrez)
http://www.ultimahora.com/la-guerra-narcos-cobra-la-vida-otro-periodista-n795448.html
“[…] Um jornalista de rádio termina seu programa, sai do estúdio da emissora e se dirige a sua casa. Na rua, sombrios sicários fecham seu caminho e o crivam com vários disparos, buscando calar sua voz para sempre. É uma cena que já conhecemos de memória, já há mais de 23 anos, mas segue ocorrendo, sem que as autoridades façam nada para evitá-la, na calcinada região de Amambay, fronteira seca com o Brasil. E não é por ser uma cena reiterativa que deixa de seguir nos causando dor, sobressalto e indignação”.

“Há 23 anos foi a vez de Santiago Leguizamón, o corajoso diretor da Rádio Mburucuyá, assassinado ao meio-dia na chamada “terra de ninguém”, fronteira entre Brasil e Paraguai, precisamente no Dia do Jornalista. Há pouco mais de um ano, em fevereiro de 2013, aconteceu com Marcelino Vázquez, diretor proprietário da rádio Sin Fronteras FM, crivado nas próprias portas de sua emissora. Dois meses depois, em abril de 2013, chegou a vez do fotógafo Carlos Artaza, funcionário de imprensa da Governação de Amambay, emboscado e assassinado quando regressava a sua fazenda”.

“Ontem, sexta-feira, 16 de maio, aconteceu com Gabriel Alcaraz, um jovem jornalista da Rádio Amambay, que conduzia todos os dias o programa ‘De Frente a la Mañana’, das 6h45 às 12h00, junto com o veterano Kiko Servián, justamente um dos jornalistas que se formaram trabalhando com Santiago Leguizamón”.

“Faz anos que existe uma declarada guerra entre grupos do crime organizado, que envolve relevantes figuras políticas como o governador de Amambay, o ex-deputado Pedro González e o senador Robert Acevedo, também ex-governador, ambos proprietários de emissoras de rádio, nas quais os jornalistas se veem arrastados a sustentar posturas de ataques ou defesas sobre diversos temas. A Justiça nunca intervém muito”.

“Pedro González é o mesmo político que apareceu há anos em uma famosa fotografia, participando de uma festa familiar com o narcotraficante Jarvis Ximenes Pavão. Robert Acevedo é o dono da mesma rádio que, dias antes das eleições de abril de 2013, argumentou a favor da figura do empresário fronteiriço Fahd Jamil, processado no Brasil por narcotráfico e lavagem de dinheiro e acusado de estar vinculado ao assassinado do jornalista Santiago Leguizamón, para enviar uma mensagem de apoio ao candidato colorado Horacio Cartes, atual presidente da República”.

“O assassinato de qualquer ser humano é sempre repudiante, mas quando busca calar trabalhos de denúncia ou investigação jornalística, contém circunstâncias agravantes, pois atenta contra princípios básicos de uma democracia. Este novo crime contra um trabalhador de imprensa revela um panorama ainda muito mais sombrio para o exercício do jornalismo no Paraguai, tarefa que, no entanto, se faz mais necessário do que nunca […]”.

“Denunciava ‘com nome e sobrenome’ traficantes”
http://www.abc.com.py/edicion-impresa/politica/denunciaba-con-nombre-y-apellido-a-traficantes-1246020.htm
“[…] O assassinato do jornalista da Rádio Amambay, Fausto Gabriel Alcaraz (28), foi ordenado pelo narcotráfico, sustentou ontem o senador Robert Acevedo (PLRA), proprietário da citada emissora. Acrescentou: ‘Ele denunciava todos os narcos, os grandes, e eles não perdoam, e cometeram isso. Isso é coisa do narcotráfico’”.

“Acusou o narcotraficante Jarvis Ximenes Pavão de dirigir o negócio das drogas a partir da prisão. ‘Eles (os narcos) funcionam em cooperativa, decidem em uma sociedade quem será assassinado’, indicou. O ser consultado se com suas expressões se referia a Pavão, indicou que ‘claro. Da prisão, Jarvis dirige tudo. Visitam-no mulheres, modelos, até políticos’, sustentou. Afirmou que em Pedro Juan Caballero ‘há uma ausência total do Estado, especialmente de seus organismos de segurança e justiça’. O senador Acevedo também se lançou contra o Comandante da Polícia Nacional, Comissário Geral Francisco Alvarenga, ao tratá-lo como ‘bandido’”.

“’A Polícia está totalmente vendida. O subcomandante que estava aqui era um dos integrantes de um bando de assaltantes. Todos os que vêm aqui o fazem para arrecadar. Todos os fiscais são uns vendidos. Estamos à disposição dos narcotraficantes’, declarou o parlamentar. Em outro momento, manifestou que a luta contra o narcotráfico em Pedro Juan Caballero é ‘só uma tela para os meios de imprensa’. ‘Os narcotraficantes aqui andam em caravana, armados com fuzis de guerra automáticos, e ninguém os incomoda, nem a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) nem nada. Quero ver Luis Rojas (titular da Senad) aqui fazendo investigações. Isso não se faz aqui em Pedro Juan Caballero’. Indicou que Jorge Rafat é outro dos supostos chefes que nem a polícia nem a Senad investigam ‘nem incomodam’. Rafaté também um suposto ‘peixe gordo’[3] do narcotráfico”.

“Jornalista assassinado a tiros em Pedro Juan”
http://www.abc.com.py/nacionales/sicarios-asesinan-a-periodista-en-pedro-juan-1245811.html
“[…] Um conhecido apresentador de rádio da cidade de Pedro Juan Caballero morreu crivado por dos sicários, ao meio-dia desta sexta-feira. Alcaraz foi assassinado em frente a sua casa”.

“Trata-se de Fausto Gabriel Alcaraz (28), que foi atacado por desconhecidos, que se locomoviam a bordo de uma motocicleta, quando chegava a sua casa no bairro María Victoria, situada nas imediações da Rádio Mbucucuva”.

“De acordo com fontes oficiais às quais teve acesso o ABC Color, os sicários utilizaram pistolas de 9 milímetros para concretizar o crime. A vítima recebeu no total 11 balas de duas armas diferentes, uma calibre .40 e outra 9 milímetros, confirmou o médico forense César Villagra, do setor de autópsias do Hospital Regional. Alcaraz era o apresentador de um programa matutino na Rádio Amambay 570 AM”.

Um ano atrás. Em 25 de abril do ano passado, também morreu assassinado a balas, em plena via pública, Carlos Manuel Artaza, que trabalhava como fotógrafo e era encarregado da imprensa da Governação de Amambay. Artaza foi interceptado depois de ter participado de uma caravana na qual se celebrava a vitória de Pedro González para o cargo de governador. Nesse caso, foi capturado o suposto autor. Naquela ocasião, uma testemunha atribuiu o assassinato de Artaza a Robert Acevedo, que negou qualquer relação com a vítima”.

Guerra política. Robert Acevedo e Pedro González, ambos do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), mantêm há anos uma feroz guerra política pelo governo local. Robert Acevedo foi governador de Amambay, cargo que hoje ocupa Pedro González. O atual intendente de Pedro Juan Caballero é José Carlos Acevedo, irmão do legislador, e a esposa de Robert, Zulma Icasatti, é conselheira”.

“Robert Acevedo, que foi reeleito senador em abril do ano passado, encontra-se em plena campanha proselitista para ser intendente de Pedro Juan e, assim, substituir seu irmão no próximo ano. Ambos os políticas lançaram um contra o outro, em várias ocasiões, acusações, mas nunca houve uma denúncia formal, nem, tampouco, as autoridades interviram para esclarecer o ocorrido […]”.

BREVE CONCLUSÃO

Por último, tanto no Brasil como no Paraguai, a impressão cidadã generalizada é que este assassinato mafioso, com extrema crueldade, como tantos outros, também não será esclarecido, simplesmente porque o aparato de Estado dos dois países, assim como as instituições sociais, políticas, econômicas, culturais e os valores predominantes em amplos setores das respectivas sociedades, estão profundamente penetradas pelas narco-atividades criminais e suas tão eficientes organizações do crime transnacionalizado da narco-atividade.

A situação do Paraguai, então, pode ser sintetizada, sem recorrer à tese do “Estado falido” simplesmente porque neste país não existe Estado, realmente, e o Brasil também experimenta uma severa crise de legalidade, legitimidade e de dominação de sua “democracia”, tão aparente como a paraguaia. Tudo isso faz com que pensemos que no Paraguai, e também no Brasil, a politicaria predominante está conduzindo os dois países (como ocorre com outros da região) a um regime clepto-narco-crático, que, caso se consolide, inevitavelmente terá repercussões locais, regionais, hemisféricas e mundiais muito graves.

Diversas notícias na imprensa paraguaia:
http://www.abc.com.py/edicion-impresa/politica/matan-a-tiros-a-periodista-de-radio-amambay-y-acusan-al-narcotrafico-1246018.html
http://www.abc.com.py/nacionales/periodistas-piden-justicia-para-alcaraz-1246085.html
http://www.abc.com.py/nacionales/gobierno-condena-asesinato-de-periodista-1245946.html
http://www.abc.com.py/nacionales/reconocen-debilidad-de-la-senad-ante-el-narcotrafico-
http://www.abc.com.py/nacionales/acevedo-esto-es-cosa-del-narcotrafico-1245834.html

JLSG
Asunción, domingo, 18 de maio de 2014

Notas do tradutor:
1) Sicário é, de maneira simplificada, um assassino contratado (ou de aluguel).
2) Hombre de paja (ou “homem de palha”, como traduzimos) é a pessoa que obedece cegamente à outra.
3) Pez gordo (ou “peixe gordo”, como traduzimos) é uma expressão que indica que alguém é muito importante em certo grupo ou contexto.

Anúncios

Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
Esse post foi publicado em Uncategorized e marcado , , , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s