O poder de uma grande história

O thriller paraguaio ostenta o recorde de bilheteria em seu país e múltiplos prêmios

Fonte: Alejandro Lingenti (La Nación, Argentina), 19 de julho de 2014. Tradução livre.
Link: http://www.lanacion.com.ar/m1/1711128-el-poder-de-una-gran-historia

A não muito tempo atrás, Titanic era o filme mais visto na história do Paraguai. Com 150.000 espectadores, o filme, protagonizado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, ostentava esse recorde. Desbancou-o desse lugar 7 Caixas, o longa-metragem paraguaio dirigido por Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori, que estreou antes de ontem [17/07] na Argentina (exibido unicamente no Bama Cine Arte, Diagonal Norte, 1150). O filme, que em seu país foi visto por 350.000, tem como protagonista um jovem que recebe uma misteriosa tarefa: cruzar as oito quadras do Mercado 4 – um lugar parecido com La Salada, mas encrustado em Asunción –, com sete caixas cujo conteúdo desconhece. Ele as leva em um carrinho de madeira, do qual não deve se desprender, apesar dos inconvenientes, confusões e ameaças que começa a sofrer.

Como o brasileiro Cidade de Deus e o indiano (coproduzido com capital inglês) Quem quer ser um milionário?, 7 Caixas transcendeu as fronteiras de seu país e recebeu trinta e cinco prêmios internacionais, a maior parte deles decididos pelo público que o viu. Conta Tana Schembori que o pontapé inicial para o filme quem deu foi Maneglia, seu sócio na direção: “Juan Carlos trouxe a ideia de uma nota de cem dólares cortada em vários pedaços. Ao final, decidimos que Víctor, o jovem protagonista, receberia a metade de uma cédula como do pagamento pela tarefa que lhe pedem. Se cumprir com sua missão, lhe darão a outra metade, supõe ele, ingenuamente. E daí em diante, tudo é aventura. Se me perguntam por que esta história cativou os paraguaios, diria que aconteceu algo bastante simples: se sentiram identificados, refletidos no filme. Todo mundo conhece o Mercado 4 em Asunción, todos já passaram por ali e já viram muitos dos personagens que circulam pelo filme. E a história é narrada com o estilo do cimena de Hollywood, com um ritmo que não permite que você se entedie e com pequenas homenagens a O Exterminador do Futuro e Velozes e Furiosos. Em geral, os filmes paraguaios mais conhecidos internacionalmente são outra coisa, cinema de autor destinado a um público minoritário. Encanta-me Hamaca Paraguaya, o filme de Paz Encina que teve grande circulação internacional. Sem dúvidas, marcou um antes e um depois em nosso cinema, mas está destinada a outro circuito, o dos festivais e das salas destinadas ao cinema de vanguarda. 7 Caixas é outra coisa, um filme verdadeiramente aberto para todo público”.

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Cartaz de 7 Caixas

Filmado com 350.000 dólares, 7 Caixas pode ser terminado graças ao prêmio Cinema em Construção do Festival de San Sebastián (seu custo final alcançou os 600.000 dólares), onde os diretores paraguaios tiveram um feliz encontro com o realizador argentino Luis Puenzo. “Ele estava ali como produtor de Infância Clandestina e se aproximou para que encurtássemos um pouco a duração de 7 Caixas. Foi um conselho inteligente e pronunciado com muita humildade. Levamos isso a sério e terminamos por retirar seis minutos do filme, e creio que acertamos”, conta Schembori.

Uma das curiosidades mais notáveis de todas as que rodeiam o filme foi um singular pacto com os vendedores de rua, que se comprometeram a não vender cópias ilegais durante o tempo que fosse exibida em salas comerciais. A imensa maioria dos que trabalham no Mercado 4, como bem diz Schembori, se sentiu, de algum modo, parte do projeto. “Tínhamos uma relação de longa data com essa gente, os conhecíamos da época em que trabalhamos ali para El Ojo, um programa televisivo de investigação que foi um marco dos anos 1990. E assim, conseguimos que participassem do filme cerca de 600 pessoas. Filmar em uma câmera digital nos permitiu acumular muito material. E tivemos que eliminar muita coisa, porque as pessoas olhavam a câmera ou ligavam o rádio no momento menos indicado. Mas a colaboração foi comovedora. A todos eles também corresponde este êxito”.

Após venderem os direitos para uma remake [refilmagem] estadunidense de 7 Caixas, Maneglia e Schembori preparam um novo filme de aventuras ambientado em um bairro popular de Asunción, Chacarita. “É uma história de um tesouro escondido, um mito que nasceu na época da Guerra da Tríplice Aliança, lá por volta de 1870, e que se mantém até hoje. Será um thriller e terá mais humor que 7 Caixas”, revela a diretora. Tambpem sonham com uam lei de cinema que permita que haja financiamento do Estado para os filmes paraguaios. “O cinema paraguaio não tem a tradição do argentino. Temos apenas uma dezena de salas e se produz muito pouco. Faz um bom tempo que estamos estudando a lei argentina para ver se podemos elaborar uma parecida e apresentá-la no Parlamento. Obviamente, as diferenças são muitas. A Argentina tem uma indústria que funciona há anos, enquanto que nós acabamos de começar. Memso assim, demonstramos que é possível. Quando na semana de estreia superamos a quantidade de espectadores diante de filmes como Batman, o cavaleiro da noite, não podíamos acreditar. Fizemos isso com um filme muito nosso, falada em yopará, um dialeto suburbano que mistura guarani com espanhol. E depois a coisa cresceu: estreamos em Espanha, Suécia, Índia, Estados Unidos. Creio que logo teremos uma lei de cinema. Muita gente em meu país se deu conta com 7 Caixas de que o cinema é uma ferramenta cultural muito poderosa”.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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