Expo de Arte Sacra, um novo espaço cultural em Luque

“Exposição de Arte Sacra” é como se denomina o novo espaço cultural que a Paróquia Santuário Nossa Senhora do Rosário e a Municipalidade de Luque inauguraram no último domingo (22/03). Para esta edição, conseguiram-se peças talhadas em madeira, ricas em história.

Fonte: Jhojhanni Fiorini (Última Hora, PY), 25 de março de 2015. Tradução livre.

Link: http://www.ultimahora.com/expo-arte-sacro-un-nuevo-espacio-cultural-luque-n882632.html

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Os tesouros familiares da comunidade católica luquenha são expostos desde ontem na antiga sede municipal da rua General Aquino esquina com Rosario. | Foto: Andrés Catalán.

É a terceira exposição de arte sacra que realiza a Secretaria de Turismo da cidade de Luque. No ano passado, 87 peças haviam sido compiladas, enquanto que, nesta ocasião, conseguiu-se juntar 115 objetos.

María Gloria Alarcón, secretária de Turismo da Municipalidade de Luque, comentou que a atividade tem uma importante receptividade por parte das pessoas que chegam para visitar a mostra. Um dado relevante é que todas as obras exibidas são de propriedade das famílias que povoam Luque.

O propósito desta exposição é fazer se conhecer a história de Luque e, sobretudo, das famílias da cidade, porque cada uma das obras tem uma história particular.

Uma das imagens mais relevantes culturalmente é a da Virgem de Caacupé, qie foi propriedade da mãe do poeta paraguaio Julio Correa, dona Amalia Myzkowsky. Ela teve a imagem por toda a sua vida, e, depois da revolução de 1947, a casa dos Correa foi totalmente saqueada e a imagem, roubada.

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Virgem de Caacupé, de Amalia Myzkowsky. Estima-se que a imagem corresponderia ao ano de 1968, aproximadamente. | Foto: Andrés Catalán

Conta a história que a perda da imagem que tanto adorava gerou tanta tristeza em dona Amalia que seu filho, ao vê-la desse jeito, escreveu um poema em que difundiu toda a dor de sua mãe.

Seria Georgina Martínez, esposa de Julio Correa, quem se encarregaria, depois, de devolver a imagem à sua sogra. Foi por acaso que a esposa do poeta encontrou a obra.

Uma dia, enquanto esperava o trem com destino a Asunción, ela passou por uma casa que estava com a janela entreaberta. Ao cruzar por ela, avistou uma imagem conhecida. Tratava-se, efetivamente, da Virgem de Caacupé que pertencia à senhora Myzkowsky. Exigiu a devolução da peça e a entregou novamente à dona Myzkowsky.

Entre outras peças ressaltantes da exposição, encontra-se a Virgem das Mercês, que também corresponde à época da revolução de 1947. Era propriedade de dom Juan Vicente Hermosilla, opositor do Governo de então e perseguido político.

Conta a história que ela corria, escapando dos revolucionários que queriam capturá-lo, quando tropeça e cai sobre algo estranho.

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À direita, imagem da Virgem das Mercês, encontrada e restaurada por Juan Vicente Hermosilla. | Foto: Andrés Catalán

 

Ao se levantar, Hermosilla toma o objeto e o guarda. Metros depois, observa a imagem que havia tomado e exclama: “Se eres um santo, salva-me, e eu construirei a ti um corpo; faze com que meus inimigos não me detectem”. Depois, escondeu a imagem em um lugar por três dias, sem que ninguém a descobrisse.

No momento em que foi encontrada, a imagem tinha apenas a cabeça, uma mão e dois grilhões. Então, o homem cumpriu a promessa que fez à imagem por ter salvado sua vida e levou a peça a Luque. Graças aos curadores de imagens sacras, a peça foi identificada como a Virgem das Mercês, patrona dos presos (é por isso que levava os grilhões), e se prontificaram a restaurar o corpo. Desde então, a família tem a imagem.

Entre as obras mais antigas da Exposição se encontra o menino Jesus, deitado junto a um crucifixo que tem 200 anos. E realmente impressiona a forma em que está feita, por sua perfeição e pintura original, que denota muito do franciscanismo na figura.

As peças exibidas na exposição de arte sacra são uma clara mostra de que Luque foi considerada como a segunda capital do Paraguai depois da Guerra da Tríplice Aliança. Estima-se que grande parte do comércio foi realizado ao longo da via férrea, porque grande parte das imagens encontradas depois da guerra são dessa zona de Yka’a.

Uma das figuras que mais chamam a atenção na exposição é a da Virgem da Macarena, que mede 1,75 metros de altura. Está feita em escala real e foi trazida da Espanha em duas peças pelos missioneiros da esperança, que estavam trabalhando na cidade de Luque desde a década de 80.

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Imagem de Maria Santíssima da Esperança Macarena Coroada. | Foto: Andrés Catalán

 

A peça se encontra talhada em madeira. Somente a parte superior tem uma figura “humana”, já que a parte inferior é uma estrutura de pau, na qual se assenta a figura. Este tipo de estrutura é denominada por “cavalete”, e é de origem franciscana ou jesuíta.

Sem dúvida alguma, a peça mais importante, popularmente falando, para os cidadãos de Luque é a da Virgem peregrina, uma imagem da Virgem de Rosário, patrona da cidade, que pertencia à dona Andrea Meza, que dedicou sua vida à devoção da imagem. Ela não teve filhos nem marido, porém, adotou um menino, que hoje, já adulto, ainda conserva a imagem.

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Imagem peregrina da Virgem do Rosário. | Foto: Andrés Catalán

 

A imagem da Virgem peregrina é a que se dedica a percorrer a cidade de Luque. Visita todas as capelas e vizinhanças nos dias que antecedem aquele referente à Virgem do Rosário, comemorado no primeiro domingo do mês de outubro. Nesse dia, é realizada a missa folclórica totalmente em guarani, e a Virgem usa uma vestimenta confeccionada pelos devotos que receberam favores dela, feita de ao po’i, ñanduti, renda ju, entre outros materiais.

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Vestidos confeccionados pelos devotos da Virgem peregrina. | Foto: Andrés Catalán

 

Depois, a imagem é levada em veículos até o prédio da Força Aérea. Ali, colocam-na em um helicóptero, que sobrevoa toda a cidade de Luque. Desse modo, a bênção da Virgem chega a todas as casas. Depois disso, o helicóptero pousa sobre o campo do Sportivo Luqueño e, de lá, percorre a cidade em uma carreta puxada por bois. Por último, retorna à paróquia para a realização do karu guasú.

A coroa que a figura traz é uma réplica em bronze da que originalmente tinha. Esta era de ouro com rubis incrustados, assim como o é o bastão que a mão sustenta. Ambas as peças foram roubadas da Virgem em 1990, quando o templo onde se encontrava foi assaltado.

Por isso, atualmente, a exposição conta com sistemas de segurança mais sofisticados e com o apoio da Polícia Nacional.

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Gilberto Riveros junto com sua imagem da Virgem do Rosário. | Foto: Andrés Catalán

 

Gilberto Riveros é jardineiro da paróquia de Luque e possui uma imagem, de cerca de 30 centímetros, da Virgem do Rosário há seis anos. Ele comenta que a imagem foi presenteada por uma senhora de idade avançada, que tinha a peça em sua posse porque tinha sido propriedade de sua avó.

Segundo Gilberto, a imagem de madeira havia sido levada para a Guerra do Chaco, porque era a protetora dos soldados combatentes. Também afirma que esta peça data de 1800. Relata que em uma noite, depois de rezar à Virgem, esta apareceu para ele em seu sonho com seu filho nos braços, e que, desde então, sempre cumpre todos os favores que ele lhe pede.

Segundo María Gloria, a cada ano aumenta o número de visitantes da mostra, e que, com a futura presença do papa Francisco em nosso país, existe algo como um “despertar religioso”.

Alarcón também ressalta que as imagens não estão lá para serem adoradas, mas veneradas, já que se referem a exemplos de seres humanos que mudaram sua vida para melhor.

A exposição foi declarada de interesse turístico pela Secretaria Nacional de Turismo (Senatur) e vai até este sábado, das 8h00 às 11h30 e das 14h00 às 19h00. No domingo de ramos, encerra-se ao meio-dia com uma visita guiada.

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María Gloria Alarcón, secretária de Turismo da Municipalidade de Luque. | Foto: Andrés Catalán

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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