Paraguai: Quanto depende do Brasil?

Terra, energia, mercado e indústria brasileira em território paraguaio são analisados no livro “Subimperialismo brasileño y dependência del Paraguay: los intereses económicos detrás del golpe de Estado de 2012” (“Subimperialismo brasileiro e dependência do Paraguai: os interesses econômicos por trás do golpe de Estado de 2012”).

Fonte: Paraguay.com, 19 de julho de 2015. Tradução livre.

Link: http://www.paraguay.com/nacionales/paraguay-cuanto-depende-de-brasil-131120

“O Paraguai é soberano” é o slogan que utilizaram Federico Franco e aqueles que o apoiaram a assumir o poder em 2012, após o juízo político de Fernando Lugo. O que é a soberania? Foi um golpe de Estado ou um simples juízo político? Aquela discussão em torno dos fatores discursivos e simbólicos, contudo, traz uma análise de dados e números. Hoje, no âmbito da academia, existem numerosos trabalhos das Ciências Sociais que fomentam debates necessário sobre esse momento histórico e recente de nosso país.

Subimperialismo brasileño y dependência del Paraguay: los intereses económicos detrás del golpe de Estado de 2012(“Subimperialismo brasileiro e dependencia do Paraguai: os interesses econômicos por trás do golpe de Estado de 2012”) é o nome com que a cientista política Cecilia Vuyk publica seu livro que aborda o desafio e a possibilidade de desenvolvimento independente e soberano do Paraguai. “É um estudo minucioso de uma de suas principais travas: a dominação estrangeira, neste caso, especificamente a dominação brasileira sobre o Paraguai”, sustenta a autora.

A jovem investigadora explica que o livro aborda “os principais problemas da cada vez maior dominação brasileira sobre o Paraguai através do controle de nossa economia – controle da terra, da energia, do mercado e da indústria, esta cada vez mais desnacionalizada”. Ademais, a autora analisa “o vínculo dessa dependência econômica com a esfera política, ao ser uma aliança de setores da burguesia paraguaia e brasileira – hoje, no Paraguai, na gestão do governo”. No livro, identifica-se quem se beneficia em manter o país em atraso, subsidiando através de nossos recursos naturais e nossa mão-de-obra sobre-explorada o desenvolvimento do Brasil e de outros países estrangeiros, em detrimento do desenvolvimento nacional paraguaio.

– Quais seriam os 5 interesses principais do Brasil no Paraguai?

Pela hipótese de Cecilia Vuyk, todos os interesses se entrelaçam:

1-Soja: os capitais e monopólios brasileiros, apoiados pelo Estado brasileiro, têm seu principal interesse no Paraguai no controle de grandes extensões de terra para a produção de soja, hoje com, pelo menos, 19% do território nacional em mãos estrangeiras.

2-Energia: o usufruto quase gratuito da energia paraguaia de Itaipu, com 91% de utilização por parte do Brasil, tanto através da obrigada concessão do excedente paraguaio ao Brasil como com novas modalidades em que monopólios brasileiros se instalam no Paraguai para utilizar a energia do lado paraguaio de maneira intensiva e logo exportar a produção a suas matrizes no Brasil, tudo com energia paraguaia, que não é aproveitada para industrializar ou, ao menos, dar eletricidade ao país.

Itaipu

Imagem: Itaipu

3-Carne: este controle de nossos recursos naturais foi se estendendo nos últimos anos a novos setores, como a indústria da carne, o mercado de combustíveis, a produção de cerveja, entre outros. No caso da indústria de carne (frigoríficos) – único setor com toda a cadeia de produção em nosso país –, os capitais brasileiros controlam hoje mais de 80% da indústria, absorvendo importantes empresas nacionais, como a Frigomerc.

4- Maquila: do mesmo modo, o avanço dos capitais brasileiros no caso da maquila é importante, no qual as maquilas instaladas com isenção tributária de praticamente 100% (com um único tributo de 1% ao exportar o produto terminado) utilizam mão-de-obra paraguaia com custos 61,4% menores em comparação à brasileira, terra mais barata e energia paraguaia com custos 63,6% menores do que no Brasil, poupando os capitais brasileiros de custos de produção e utilizando os recursos paraguaios para produzir em função das necessidades da economia brasileira, tudo em detrimento do mercado interno e da economia nacional.

5-Terra: para Vuyk, é por “tudo isso que os capitais e monopólios brasileiros promovem e defendem o latifúndio no país, assim como o Tratado antinacional de Itaipu, a ponto de apoiar um golpe de Estado como o que vimos em junho de 2012”.

-Em que se baseia essa declaração de que o Brasil apoiou o golpe no ano de 2012?

Com o auge da luta do povo paraguaio pela recuperação das terras ociosas e contra o latifúndio, brasileiros e brasiguaios se mostraram preocupados, assim como o Itamaraty, conforme expressaram agentes da Stratfor, agência de inteligência norte-americana contratada desde 2009 pelo Ministério de Defesa do Brasil para espiar ocupações de terra no Paraguai. Este auge da luta do povo paraguaio foi o que tanto os interesses subimperialistas brasileiros como imperialistas norte-americanos e seus aliados locais – como os grandes proprietários de terra, setores vinculados ao capital financeiro e a empresas transnacionais, entre outros – buscaram frear com o golpe de Estado de 2012, e são os principais pontos necessários a serem superados para se avançar no desenvolvimento nacional independente e soberano do Paraguai.

Quais são os elementos levados em consideração pela pesquisa para sustentar que existe um “subimperialismo”? E quais são as características do subimperialismo?

– O subimperialismo é a fase em que chega o desenvolvimento capitalista de um país dependente, como o Brasil, que necessita inevitavelmente expandir-se para não entrar em uma crise econômica e perder lucros. A esta fase subimperialista chegou o Brasil na década de 1960, e o Paraguai foi um de seus primeiros exercícios de expansão na região, através da apropriação de grandes extensões de terra e da assinatura do Tratado antinacional de Itaipu, no marco do pacto das ditaduras militares de ambos os países.

A partir dos dados da investigação, concluo e posso sustentar que esse mesmo esquema da ditadura, no qual o governo paraguaio concede ao brasileiro e a seus monopólios e capitais o usufruto de recursos naturais e a apropriação de setores econômicos estratégicos para evitar a crise econômica capitalista brasileira e conseguir, com isso, o enriquecimento de uma pequena minoria paraguaia – que fica com uma parte do excedente que os grandes capitais brasileiros extraem do país –, é o esquema que o atual governo está repetindo e aprofundando, mantendo, sem tocá-lo ou negociá-lo, o Tratado antinacional de Itaipu, fomentando a ampliação do controle de terras em mãos estrangeiras e concedendo setores-chaves de bens e serviços nacionais ao capital brasileiro, como é o caso da ACEPAR – alugada à brasileira Vetorial –, desnacionalização hoje promovida e encabeçada pela lei de aliança público-privada que concede ao capital estrangeiro a exploração de bens e serviços nacionais, financiando-os com capital público paraguaio.

Cecilia

Cecilia Vuyk

-De quanto dinheiro falamos quando tratamos dos interesses econômicos do Brasil no Paraguai?

-Falamos de toda uma estrutura econômica paraguaia que hoje segue mantendo o atraso por consequência da dominação estrangeira e do fomento dessa dominação por parte de minorias paraguaias que se beneficiam dela.

-Quais são os recursos que o Paraguai possui para um desenvolvimento independente?

– O Paraguai conta com toda a riqueza para se desenvolver: terra da mais fértil, água doce, energia hidroelétrica limpa e renovável, ouro, urânio, diamantes, petróleo, etc. Contudo, toda a riqueza de nosso país está posta hoje ao dispor do desenvolvimento estrangeiro, impedindo que nosso país se desenvolva em função de suas necessidades.

Este é o desafio do desenvolvimento nacional independente. A ciência, assim como a história, mostram que é científica e objetivamente possível desenvolver o Paraguai de maneira soberana e independente. Esse livro é um apoio a essa luta que muitas e muitos de nós conduzem, para que se consiga superar essa dependência e esse atraso do qual somente uma minoria se beneficia e que, a partir de uma ampla unidade de todas as paraguaias e paraguaios que apostam em um projeto de desenvolvimento nacional, leve-se adiante nosso país.

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Sobre paraguaiteete

O Núcleo Cultural Guarani “Paraguay Teete” nasceu em junho de 2009 em São Paulo, Brasil, da mão de admiradores da cultura guarani residentes nessa cidade para difundir a rica cultura da República do Paraguai. Dentre os principais objetivos do Núcleo, podemos destacar: 1. Gerar uma imagem diferente daquela que muitos brasileiros têm do país (como por exemplo, a ideia de que o Paraguai se reduz a Ciudad del Este) por meios de eventos culturais tais como apresentações de documentários, palestras, gastronomia, música e cursos. 2. Fortalecer a identidade cultural de paraguaios e descendentes residentes no Brasil por meio da difusão permanente da cultura e da língua Guarani. 3. Proporcionar espaços e contatos para os profissionais paraguaios das diferentes modalidades artísticas, dando-lhes a possibilidade de ter acesso ao rico circuito cultural brasileiro e, em contrapartida, oferecer a mesma oportunidade para brasileiros que queiram conhecer ou desfrutar da autêntica cultura paraguaia. 4. Defender a dignidade, a imagem e a história do Paraguai e dos seus descendentes perante situações discriminatórias, tratos pejorativos, piadas e chacotas que a mídia do Brasil vem produzindo constantemente. 5. Acionar a Polícia Federal contra criminoso que usam a internet para caluniar com comentários racistas que violem a Lei Nº 7.716/89: Art. 1° diz “Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. Assim como o Art. 20° que diz “Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”. El Núcleo en castellano: El Núcleo Cultural Guaraní "Paraguay Teete" nació en junio de 2009 en la ciudad de São Paulo, Brasil, de la mano de admiradores de la cultura guarani residentes en esta ciudad para difundir la rica cultura de la República del Paraguay. Entre los objetivos se encuentran: 1. Generar una imagen diferente de la que los brasileños tienen del país (entre otras ideas de que piensan que Paraguay se reduce a Ciudad del Este). 2. Fortalecer la identidad cultural del paraguayo y de sus desendientes residentes en el Brasil a través de la difusión permanente de la Cultura Guaraní resaltando siempre el idioma Guaraní. 3. Proporcionar espacios y contactos para los profesionales de las diferentes modalidades artísticas, dándoles la posibilidad de acceder al rico circuito cultural brasileño y a
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3 respostas para Paraguai: Quanto depende do Brasil?

  1. Como entrar em contato com vocês para intercâmbio de informações?

  2. alguem disse:

    Esse texto foi a coisa mais sem noção que já li, vamos tópicos

    1) Soja – O Brasil NÃO tem interesse na soja do Paraguai, Pois o Brasil precisa EXPORTAR a sua própria soja, quem foi ao Paraguai para plantar soja (e imigrar) foram os “brasiguaios”, brasileiros radicados no Paraguai há 30 anos que dominam 90% da produção de soja no Paraguai.

    2) Energia – o Paraguai VENDE o excedente para o brasil, excedente (estipulado no contrato).

    4) Maquila – a lei MAQUILA fez o Paraguai crescer 14% em 2013, foi o TERCEIRO MAIOR CRESCIMENTO DO MUNDO. e continua a atrair investidores para o Paraguai graças essa lei.

    5) Terra – Vuyk é tão desinformada que FERNANDO LUGO foi deposto por um processo de impeachment motivado pelo desastroso governo e DILMA era aliada, tanto que o presidente Mujica do URUGUAI escreveu um livro, dizendo que Dilma usou espiões cubanos para convencê-lo a expulsar o Paraguai do Mercosul.

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